Mais uma sujeira política: voto em “lista fechada” para que investigados pela Lava Jato possam se eleger


O novo modelo de sistema eleitoral defendido pelas cúpulas do Planalto, Congresso e do Tribunal Superior Eleitoral se soma às iniciativas que o mundo político tem buscado desde o ano passado para neutralizar os efeitos da Operação Lava Jato. Se a ideia prosperar, o voto em lista fechada tende também, na prática, a garantir foro privilegiado a muitos investigados e, consequentemente, um processo penal com o já conhecido ritmo lento de condução pelo STF.

Pelo sistema, as cúpulas partidárias têm a prerrogativa de indicar quem serão os candidatos nas eleições proporcionais. Fechada a lista, o eleitor vota apenas no número do partido. A legenda que tiver mais votos terá os integrantes que ocupam as primeiras posições de suas listas eleitos.

Os verdadeiros cidadãos brasileiros não devem, porém, esquecer que a Lava Jato tem como principais alvos justamente integrantes dos comandos dos partidos que seriam hoje os responsáveis por elaborar a lista a ser submetida aos eleitores. Basta lembrar quem preside essas legendas: no PMDB, o senador Romero Jucá (RR); o senador Aécio Neves (MG) no PSDB; o senador Ciro Nogueira (PI) no PP; e o ministro Gilberto Kassab (Ciência e Tecnologia) no PSD. No PT, o presidente de honra Luiz Inácio Lula da Silva seria o mediador dos conflitos pelos postos mais altos da sigla.

Detalhe: como as eleições para o Congresso em 2018 caminham para ser aquelas com a menor taxa de reeleição desde a redemocratização, a “solução” do voto em lista aparece agora como “ideal para a classe política”, na medida em que permitirá aos próprios investigados selecionarem a relação que será escolhida pelo eleitor.

A manobra fica mais evidente com a inclusão da cláusula de preferência para que os atuais parlamentares ocupem as primeiras posições dela, o que praticamente barra a entrada nas eleições dos hoje temidos novatos e outsiders da política.