A íntima revelação da advogada


Sessão de uma câmara cível do TJ, sala abarrotada, uma chamativa advogada, trintona, faz uma sustentação oral veemente, em favor da alteração do registro civil de sua cliente. Esta se tinha por mulher mas fora registrada com nome e sexo masculinos. Em função de algumas controvérsias físicas e factuais, a sentença de primeiro grau negara o pedido.

À medida em que vai relatando peculiaridades do caso, a advogada constata que colegas de profissão que esperam os julgamentos seguintes se alvoroçam nas cadeiras e cochicham entre si. Ela, então, interrompe a sustentação e gesticulando pede ao presidente:

- Excelência, requeiro que a sessão prossiga a portas fechadas, em função de uma reveladora e íntima informação que quero fazer.

Os desembargadores olham-se entre si, maneiam a cabeça afirmativamente e o presidente defere:

- Embora seu pedido devesse ter sido feito antes de iniciado o julgamento, ainda assim vou atendê-lo. E desde logo, em nome da câmara, desculpo-me ante os presentes, ao solicitar que deixem a sala por alguns minutos. A sessão prosseguirá sob o manto do segredo de justiça.

Algumas feições surpresas, outras contrariadas etc., a determinação é atendida. A sala de julgamentos fica sem “intrusos”. A porta é chaveada por dentro e, dois minutos depois, a sessão continua.

Certificando-se que o segredo de justiça está sacramentado, a advogada prossegue e revela:

- Senhores desembargadores, eu própria sou uma transgênero!

E põe-se a revelar algumas peculiaridades dela e de sua cliente, até arrematar:

- Estou convicta de que os senhores magistrados, profundos conhecedores dessas páginas e experiências de vida de variadas opções e variações sexuais, bem entenderão a extensão do drama que se retrata no processo.

A apelação afinal é provida. O presidente proclama o resultado, mas diz que, extra autos, precisa fazer um reparo. E olhos fixos na advogada, arremata:

- Doutora, um detalhe. Destas variações sexuais a que a senhora se refere, eu e meus dois colegas de câmara não entendemos nada!