O proficiente voto do assessor


O enredo é contado pelo jornalista Irineu Tamanini, que atua no eixo Brasília-Rio de Janeiro há quase quatro décadas, e já foi assessor de imprensa do Conselho Federal da OAB. O cenário da história é uma câmara de um tribunal estadual.

O presidente do colegiado anuncia o julgamento e passa a palavra ao desembargador-relator. Este, para surpresa geral, informa que, em regime de discussão, vai dar conhecimento aos demais integrantes do colegiado de dois votos integralmente antagônicos; um de sua lavra, o outro de seu assessor.

Detalhando: um voto confirmando a sentença; o outro voto dando provimento à apelação.

É que, nos bastidores, antes da sessão, o magistrado teria divergido do seu auxiliar e este, igualmente, não se convencera do voto da autoridade jurisdicional.

Lidos os dois longos votos antagônicos, após a manifestação do revisor e do vogal, saiu vitorioso, por unanimidade, o voto do … assessor. Foi então que o presidente proclamou: “Por unanimidade dos votos dos desembargadores da colenda câmara, deu-se provimento à apelação”.

Foi o triunfo da “assessorcracia”.