O amor em segredo de justi├ža


Ontem (12), cedo, metade da manhã do Dia dos Namorados, vazou – com coloração gaúcha - nas redes sociais a petição em versos que um jovem advogado teria, em envelope grampeado na parte interna da capa de um processo, dirigido à nova juíza da comarca – ambos solteiros.

Aparentemente apaixonado pela magistrada – depois de insinuantes trocas de olhares em audiências - o advogado teria criado a seguinte petição:

“Eu, bacharel em direito
Conforme a lei em vigor,
Venho com todo o respeito
Requerer o seu amor.

Meu coração tem urgência
E não podendo esperar,
Peço que Vossa Excelência
Me conceda a liminar.

Caso eu a tenha ofendido
Com a inépcia do pedido,
Rogo pelo amor de Deus:
Se me faltou algum tato,
Prenda-me por desacato,
Mas prenda nos braços seus”.

 Prontamente, a magistrada teria despachado à mão, numa folha sem timbre, aposta dentro de um envelope de insinuante cor rosada, mandado entregar no escritório do advogado:

Em toda a minha carreira,
Como juíza de direito,
Nunca vi tanta besteira,
Nem tamanho desrespeito.

Minha conduta moral
É lei que não se revoga
Nem com sustentação oral
Debaixo da minha toga.

Por isso, ilustre advogado,
Seu pedido tresloucado
Indefiro nesta liça.

Depois, com a noite em curso,
Fora do expediente,
Eu aguardo o seu recurso.
E que se faça presente,
Mas em segredo de justiça”.

Até o fechamento desta página - às 8h30 de 13 de junho, manhã posterior ao Dia dos Namorados - a expectativa na comarca era a de que o advogado teria recebido a juíza, em seu apartamento, às 8 da noite de ontem. Durante a tarde ele estivera no melhor supermercado da cidade, em busca de itens para um presumível jantar aprimorado: champanhe, salmão, trufas, licor e outros quitutes.