Impasse conjugal


O cidadão sofreu grave acidente de trânsito e sua masculinidade foi danificada. O médico assegurou-lhe que a ciência moderna poderia devolver a virilidade, mas que o seguro-saúde não cobriria o procedimento. Assim, em atendimento particular, o custo seria de R$ 15 mil para um "pequeno", 20 mil para um "mediano" e 30 mil para um “avantajado”.

Outra solução seria levar o caso a juízo, com chance de, alguns anos depois, obter decisão transitada em julgado condenando o plano de saúde ao custeio do implante peniano. Com o detalhe de que, por causa da notória demora judicial, talvez fosse tarde demais...

O cidadão mostrou-se disposto a raspar as economias, mas achou prudente conversar com a esposa, na expectativa de que ela quisesse ao menos um “mediano”... e, até, talvez um “grande”!

O urologista considerou a dúvida conjugal pertinente e, assim, sugeriu que o casal logo discutisse as medidas, via celular. E se retirou da sala de consultas por alguns minutos.

O homem ligou para a cônjuge e explicou suas opções. Cinco minutos depois, o cirurgião voltou para a sala, percebendo a inquietude do futuro paciente.

- O que vocês dois decidiram? - perguntou o médico.

- A minha mulher prefere reformar a cozinha! – contou, pesaroso, o paciente.

Poucas semanas depois, o cidadão ingressou com ação de divórcio litigioso. Na audiência inicial, o juiz conseguiu transformar o litígio em pedido consensual de fim do casamento.

Pela partilha, soube-se que a reforma da cozinha da madame não se realizou.