“Você não está filmando, né?...”


A universitária sentiu-se vítima e pediu a ajuda da família, depois que - vexada - contou que cenas íntimas dela pululavam na internet. O pai acionou polícia e Ministério Público. Poucos dias depois, o provedor de internet recebeu ordem judicial para, em 24 horas, bloquear um blog.

Identificado o gerador das imagens – era um gerente de agência bancária – ele admitiu sua participação criminosa. Beneficiava-se da confissão espontânea para, assim, ter menor pena. E, no juízo penal, ele contou “ser uma coisa rotineira” a gravação de transas pós-baladas, feitas às escondidas, ou às vezes às claras.

O depoimento do acusado foi minudente: “Algumas vezes as meninas sacavam. Algumas não gostavam, outras proibiam, mas também tinha quem concordasse. A intenção era apenas assistir no outro dia e dar risadas. Depois a gente apagava, pois perdia a graça”.

Quase a mesma coisa foi dita por ele em outro depoimento pessoal - já então no Juízo Cível - quando ele se viu réu da ação por dano moral: “Um colega perdeu a cópia da gravação em que realmente havia cenas de sexo oral”.

O magistrado ficou perplexo ao ver o vídeo e ouvir o áudio com a voz inconfundível da lesada:

- O que você está fazendo? Você não está filmando, né? - pergunta ela.

O juiz concluiu que a vítima desconfiasse estar sendo filmada - e sentenciou que “mesmo que ela tivesse consentido com as gravações, jamais estava o acusado parceiro sexual autorizado à divulgação posterior na internet".

O acórdão da apelação definiu que "imagens íntimas sem consentimento se constituem em crime contra a honra". E confirmou a condenação em R$ 30 mil.

Com o trânsito em julgado, foi feita a penhora numa conta do réu e, assim, o caso chegou ao conhecimento do banco empregador. Na semana seguinte houve a dispensa do gerente, sem justa causa.

A condenação penal ainda pende de recurso superior. A vítima já recebeu sua indenização cível. E um dia desses, ela recebeu de sua entidade de classe a identidade que a habilita ao exercício profissional.

O gerente de banco mudou de profissão. Está, agora, prestando assessoria a um político.

(Senhores circunstantes, cuidem-se! Como já visto acima, ele gosta de filmar – nem que seja para “apenas assistir no outro dia e dar risadas”...