Consulta advocatícia equivocada


A 100 metros do foro da média comarca, o ativo escritório do advogado João funcionava no terceiro andar de um prédio. No primeiro andar do mesmo edifício existia um movimentado consultório médico, anexo a um laboratório de análises clínicas, cujo responsável técnico também se chamava João.

Certo dia, um cidadão chegou à portaria do prédio e perguntou onde poderia ser atendido pelo “Doutor João”. O porteiro indicou a sala do terceiro andar.

O detalhe é que o cidadão buscava um médico e não um advogado. Outro detalhe: o visitante estava acometido de orquite, nome científico dado à inflamação dos testículos. Discreto, obviamente ele não disse isso ao porteiro.

E, assim, o visitante foi bater no escritório do advogado. De chegada, disse à secretária que desejava consultar com o Doutor João, “por uma questão íntima”.

Admitido ao gabinete do profissional, deparou-se com uma mesa atolada de processos e inúmeros papéis. Logo atrás, sentado, vestindo terno e gravata, estava o doutor João.

- Sente-se! Qual o seu problema, senhor? – perguntou o advogado.

- Estou com o testículo esquerdo doendo muito, imagino que esteja inflamado – respondeu o visitante.

O doutor João respondeu:

- O senhor veio ao local errado. Imagino que o atendimento que busca seja prestado na clínica do primeiro andar, neste mesmo edifício. O meu negócio, aqui, é Direito.

O enfermo, que estava irritado com a dor, soltou um abstrato palavrão e exclamou:

- Não sabia que a medicina da cidade estava tão adiantada. Tem até especialistas de testículo esquerdo e de testículo direito!

Levantou-se e saiu porta afora. O advogado nada soube sobre a solução, acaso ocorrida no primeiro andar.