As nádegas vermelhas decisivas para o campeonato gaúcho


Em 1973, a Federação Gaúcha de Futebol, em conjunto com a IVI - Imprensa Vermelha Isenta, paralisou o campeonato gaúcho de uma forma que jamais aconteceu no futebol mundial.

O Internacional perdeu para o Esportivo de Bento Gonçalves (técnico Enio Andrade) em pleno Beira-Rio, no dia 15 de abril, reta final do primeiro turno do campeonato gaúcho. Vários jogadores saíram desse jogo com lesões e não poderiam atuar contra o Aimoré, no domingo imediato.

O Grêmio era líder pelo saldo de gols (7) contra o Inter (4) - e venceria o turno.

Às vésperas da rodada, o jornal Zero Hora, na página do chargista Marco Aurélio, proativo da IVI, estampou uma fotografia (foto mesmo, captada por combinação através de uma janela entreaberta do vestiário) do jogador Figueroa despido (nu... sem roupas, mesmo).

Em razão disto, o então presidente da FGF, Rubens Freire Hofmeister, tomou uma decisão absurda: em nome da "moral e dos bons costumes" transferiu a rodada para o outro final de semana, resultando uma folga de 14 dias para os clubes.

A transferência foi saudada com festa pelos dirigentes e comissão técnica do S. C. Internacional, pois haveria tempo para a recuperação dos atletas vermelhos. O time deles, então, conseguiu a vitória contra o Aimoré por 4x0, superando a diferença no saldo de gols que colocava o Grêmio na liderança. Assim o Inter venceu o primeiro turno. No final do campeonato, acabou consagrando-se campeão pelos critérios.

Tal adiamento absurdo determinado pelo presidente Hofmeister  também provocou um prejuízo para milhares de apostadores da Loteria Esportiva - que na época era o único jogo de apostas no Brasil - pois o resultado foi para o sorteio. E mais, determinou punição para todos os clubes gaúchos, que ficaram afastados dos jogos da Loteria Esportiva por várias semanas.

Milton Kuelle, treinador do Grêmio naquele ano, quando procurado em dezembro de 2002 pelo historiador Daison Santana, atribuiu a perda do campeonato à “benéfica” paralisação da competição.

Lembrei-me, então, de “Toda Nudez Será Castigada”, peça teatral e filme de sucesso da época, ambos escritos por Nelson Rodrigues. Neles, a prostituta Geni vive a agonia e o êxtase de uma obsessão: morrer de câncer no seio. A sátira zombeteira que faço aqui, 44 anos depois, é que a IVI – Imprensa Vermelha Isenta armou, com pontual eficiência, uma trama futebolística que se chamou “Toda Nudez Será Beneficiada”.

Já se passaram 44 anos daquele episódio grotesco que transformou o Rio Grande do Sul em chacota nacional. Nunca a imprensa esportiva do RS revolveu este baú.

Aquele foi um campeonato raro, decidido graças às nádegas expostas de Dom Elias Figueroa!

Bolhas miúdas que viram graúdas

A IVI superou-se em 2017. Durante o ano viveu dias, semanas e meses dentro uma bolha, juntando as séries A e B. Jornalistas de coloração vermelha compararam campeonatos diferentes, superestimando o time de Zago e de Guto.

Separei algumas preciosidades captadas de dentro de uma bolha gigante.

1) “O Inter se classifica com cinco rodadas de antecedência” (Pedro Ernesto).

2) “A Série B tem seu lado bom do rebaixamento” (Luis Henrique Benfica).

3) “Números de A na série B” (Leandro Behs).

4) “Damião vai terminar o ano entre os grandes artilheiros do Brasil” (Zini Pires).

-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Dupla Gre-Nal