A banheira do Foro Central


De repente, na semana passada, em meio às obras de reforma do prédio antigo do Foro Central de Porto Alegre, a descoberta no subsolo: aparecera uma banheira. Não era nova, tinha indícios de uso, exibia arranhões – o que afastava qualquer especulação maldosa de que se tratasse de uma nova extravagância de algum ordenador de despesas.

A “rádio-corredor” da OAB ficou sabendo e difundiu a novidade. Acrescentou que talvez o presidente da Casa simplesmente informasse a descoberta ao Conselho Seccional, em sua próxima reunião.

No Ministério Público, um erudito procurador de justiça aposentado - que teria furtivamente visto o objeto - detalhou na sua habitual forma rebuscada de falar: “Trata-se de um médio e nada opíparo objeto de louça, que se enche de água e no qual se pode sentar ou deitar o corpo e banhá-lo por imersão, para fins higiênicos ou terapêuticos”.

Em meio à poeira da reforma, um agente de segurança delirou: “Lembro dos tempos do Doutor Fulano. Às sextas-feiras, final de tarde, na primavera e no verão, ele subia para o terraço, onde gostava de ver a chegada do anoitecer - depois descia para o seu banho repousante, numa banheira parecida com esta”.

E por aí se foram as histórias, abordando até a origem vitoriana das banheiras. Não faltou quem lembrasse do imperador romano Marco Antonio que, no ano 83 a.C., costumava receber a amada Cleópatra, quatro vezes por mês, para banhos de leite de cabra – tomados a dois, claro – em grandes panelões de ferro fundido.

Para estancar as brincadeiras compreensíveis que se misturavam a boatos absurdos, o diretor do foro foi em busca de detalhes e identificou o objeto como propriedade da empresa que realiza a reforma, a Tecon Tecnologia em Construções.

Esta tratou de informar, por escrito, que “a banheira presente no subsolo da reforma veio de outra construção para fins de descarte ou revenda, encontrando-se apenas aguardando a destinação correta”.

Não há controvérsias! Ou há?...