Ainda as mochilas e as notas fiscais


Não faz muito a imprensa reproduziu o relatório da comissão Especial do Conselho Deliberativo que investigou irregularidades na administração do Internacional. Agora, apesar do vazamento, os conselheiros do clube tiveram acesso ao documento.

Não traz novidades, haja vista ter a comissão concentrado a sua atuação na investigação das volumosas retiradas em dinheiro, diretamente do caixa, sem a imediata comprovação da destinação. Posteriormente foram juntados documentos que deram o que falar.

Pois bem, integrantes da comissão compareceram em endereços no literal gaúcho e catarinense, verificando tratarem-se de empresas de fachada, via de regra sem funcionamento regular e, com composição societária ensejadora de muitas duvidas. Mas, como em um caso que apontei anteriormente, em outras gestões pagamentos eram feitos a título de assessoria ou prestação de serviços, sem o respectivo contrato.

O que não foi abrangido pelo relatório, necessariamente não significa inexistência de irregularidade. Sempre bato na mesma tecla: e o futebol e as suas milionárias transações?

Segundo um membro da comissão, o futebol não foi investigado porque a atual direção não forneceria os documentos que permitiriam a investigação. Mais um indício daquilo que já denunciei: há ex-dirigentes e ex-dirigentes...! Há pessoas e setores que são blindados.

Além disso, considero que o relatório é falho em ao menos um aspecto.

Ele não sugere a punição para dirigentes que estavam vinculados à estrutura jurídica e orgânica que pecaram por flagrante omissão comissiva.

Vamos aos casos: a responsabilidade jurídica pelo clube é, segundo os estatutos, prerrogativa (ativa ou passiva), daqueles que foram eleitos. Os demais dirigentes, a quem chamo de temáticos, sequer contam com a condição de ordenarem despesas. Assim, relativamente a primeira imputação, entendo que o vice-presidente eleito, têm sim responsabilidade perante o quadro social e legislação geral e coercitiva. Participaram de reuniões de diretoria, aprovaram planos e iniciativas, etc.

Além dele, havia na estrutura um dirigente responsável pela controladoria e transparência da gestão Píffero, condição atingida em troca de apoio político que, agora, se revela incondicional. Inúmeras vezes o conselheiro a que me refiro, integrante de um grupo político cuja a tônica era a da moralidade administrativa, usou a palavra em reuniões do Conselho Deliberativo para relatar as suas iniciativas, segundo ele inibidoras de desvios.

Agora, o consignado em seu depoimento, aponta para o fato de que não lhe davam ouvidos, não adotavam as suas sugestões e as práticas eram vergonhosas.

Mesmo que adotemos a versão relatada por aquele que deveria controlar as rotinas, há uma circunstância incontroversa: por que não denunciou esses fatos? Por que não renunciou ao cargo?

Ao contrário, aguardou passivamente o fim da gestão e, no momento em que a barca afundou, saltou fora abandonando os seus pares de administração.

Espero que o Conselho considere a possibilidade de ampliar as investigações e incluir a responsabilização também por omissão ou negligência.

Além da caixa indevassável do futebol, há também boatos acercada gastança que cercou a Flórida Coup, também não investigada.

Nós, torcedores e empenhados em buscar a verdade, podemos adotar também a omissão, fugindo da gravíssima situação que exige responsabilizações nos embebecendo com a possibilidade do título. Devemos separar as coisas, colocando-as em balaios absolutamente distintos e incomunicáveis. Torcer para o time, festejando as suas vitórias e possibilidades e, ao mesmo tempo, fiscalizar para que tudo isso não termine em pizza.

Como sempre, quando o futebol encanta, outros aproveitam para avançar o sinal.

Da minha parte, tenho a certeza de que mais uma vez os ídolos de barro não serão quebrados, pois sequer foram investigados.

Também espero, em nome da responsabilidade do Conselho que o voto seja nominal. Somente assim, saberemos quem é quem.