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Terça-feira, 20 de Junho de 2017

Com esse Judiciário que temos”...



Arte de Camila Adamolli sobre foto divulgação da PR-RS

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Na semana passada, a Procuradoria Geral da República lançou dez medidas para combater a corrupção e a impunidade. Uma delas é a proposta de introduzir no serviço público uma prática já comum na iniciativa privada, notadamente nos recrutamentos de funcionários e executivos das grandes empresas: os “testes de integridade”.

Trata-se de ‘simulação de situações’, sem o conhecimento do agente público ou empregado, com o objetivo de testar sua conduta moral e predisposição para cometer crimes contra a Administração Pública. Câmeras e microfones ocultos certamente entrarão em alta.

Segundo o MPF, “a realização de tais testes pode ser feita por órgãos correicionais e cercada de cautelas, incluindo a criação de uma tentação comedida ao servidor, a gravação audiovisual do teste e a comunicação prévia de sua realização ao Ministério Público, o qual pode recomendar providências”.

A procuradora regional (aposentada) da República (SP) Ana Lúcia Amaral, foi contundente ao manifestar-se à Folha de S. Paulo sobre o acordo de cooperação e o grupo de trabalho a ser criado pelo Conselho Nacional de Justiça e outros órgãos com a finalidade de propor medidas de combate à corrupção e à impunidade. Suas frases:

Que coisa mais fora de moda do que criar grupo de trabalho para se decidir o que fazer com o que já deveria estar claro, pois processos por corrupção não são novidade. Já ajudaria se não se pedisse vista, para se perder de vista o processo. E não matar o processo depois que as instâncias anteriores já examinaram tudo e entenderam válido o processo, como se fez com os processos decorrentes da Operação Castelo de Areia: denúncia anônima não vale! E com esse Poder Judiciário que temos, quem teria a coragem de denunciar algo? Os ´sem poder´ ver-se-iam enredados em processos que poriam fim à sua vida! Não se esqueça que fatos objeto da Operação Lava Jato já eram objeto da Castelo de Areia”.


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