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Edição de terça-feira, 23 de outubro de 2018.

Manobras do Congresso...daquele país tropical



Charge de Gerson Kauer

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Era uma vez um país que tinha, no árido sertão, um enorme depósito de sucata. No Congresso Nacional uma voz política suscitou: "Alguém pode roubar essas peças à noite". Então, os parlamentares criaram uma vaga e, sem concurso, contrataram um vigia noturno.

Poucas semanas depois, o líder de uma bancada suscitou: "Como é que o vigia vai fazer a segurança sem planejar sua estratégia?''

E assim foi criado um departamento de planejamento, que recebeu duas pessoas: uma para redigir as metas; a outra para fazer estudos do tempo gasto na função.

Um mês depois, um oposicionista reclamou: "Como saberemos se o vigia noturno está fazendo suas tarefas corretamente?''.

Logo criou-se, então, o Departamento de Controle de Qualidade, para o qual foram contratados mais dois CCs: um para as observações de campo; o outro para digitar os relatórios.

Uma nova dúvida apareceu no Congresso: "Como essas cinco pessoas vão receber o pagamento?".

Criaram-se, assim, mais duas posições de trabalho: um servidor do Senado ganhou uma FG para gerenciar o tempo dos trabalhadores; e um assessor da Câmara foi desviado de sua função para cuidar da folha de pagamentos.

Em seguida, a Casa Civil questionou: "Quem será o responsável por todas essas pessoas?"

A solução foi criar uma seção administrativa, com três pessoas subordinadas à Casa Civil: um oficial administrativo, um assistente e um secretário.

No final do ano, Executivo e Congresso perceberam que algo estava algo errado e admitiram: "Nós estamos com este esse sistema em funcionamento há apenas um ano e já estamos R$ 120 mil cima do orçamento. E temos um compromisso com o presidente interino: cortar custos".

Então, por meio milhão de reais, foi contratado, para um trabalho de consultoria, o Zé Dirceu, cuja recomendação foi a de “drástica redução de custos com pessoal”.

Então os parlamentares demitiram o vigia noturno!


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