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Edição de terça-feira, 23 de outubro de 2018.

Baixo nível eleitoral



No auge da descrença da sociedade brasileira com a política, partidos deixam ideologias e propostas de lado e apostam em brincadeiras de mau gosto. Ao colocarem em vigor novas regras, as autoridades eleitorais esperavam ter um respiro nos velhos hábitos da política brasileira.

Enganaram-se. A redução do tempo de rádio e televisão e o fim do financiamento empresarial não aplacaram práticas responsáveis por contaminar o nível e os costumes.

O PSDB mineiro, por exemplo, deixou uma postulante (Ana Paula Teodoro Mendonça) a vereadora em Contagem (MG) aderir ao nome de “Paula Tejano”. A cacofonia dos últimos dois nomes dá margens a brincadeiras.

É similar ao que ocorre em Aracaju (SE), onde o nanico PHS dá palanque para que o motoboy André da Fonseca incorpore o personagem Chapolin e repita, fantasiado, bordões da série.

E em Santos (SP), o PP tenta pegar carona na Lava Jato: fez de José Afonso Pinheiro, o zelador do tríplex de Lula no Guarujá, um caça-votos para cadeiras no Legislativo.

Farão companhia a esses aí de cima, outros candidatos inusitados, como “Hélio Quebra Bunda”, em Cachoeira (BA), “Xereca” em Mongaguá (SP), “Nojo” em Parnaíba (MS) e “Vin Diesel Curitibano” na capital paranaense.

E a esteticista Risolene de Lima Macedo (PPL) acredita que seja o seu caso. Com o nome “Riso Sempre Riso”, ela concorre a uma vaga de vereadora em Igarassu (PE).

A propósito

Em muitos casos, os nomes pitorescos afrontam a lei. Uma resolução TSE estabelece limites aos candidatos. É necessário que a alcunha escolhida “não atente contra o pudor e não seja ridícula ou irreverente”.

Mas do teor da norma ao cumprimento dela, há uma distância oceânica. Resta repetir que, assim, a classe política dificilmente conseguirá resgatar a credibilidade junto à sociedade.


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