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Sexta-feira, 24 de Março de 2017

O machismo que constrangeu Ellen Gracie no Senado



São de conhecimento geral os requisitos para integrar, como ministro, a Suprema Corte: brasileiro nato, notável saber jurídico, reputação ilibada, idade entre 35 e 65.

As ´rádios-corredores´ das OABs – país afora – coincidem nas difusões: “A sabatina, no Senado, não passa de protocolo”. Corrobora isso o fato de que, há um século, ali não se rejeita um indicado. Mas nem sempre o interrogatório corre placidamente.

Com o governo já depauperado, o último a integrar a Corte, ministro Fachin, passou em 2015 por longas 11 horas de questionamentos.

Mas há mais de 120 anos o Senado não rejeita um indicado. Criado em 1890, o STF teve apenas cinco candidatos derrubados por senadores – todos em 1894, no governo do marechal Floriano Peixoto. O impasse foi resolvido com a aprovação do sexto nome proposto: Américo Lobo, que era senador pelo Paraná.

Machismo constrangedor

A propósito da sabatina, em Brasília, para chegar ao Supremo, há quem recorde os descabidos comentários recebidos pela primeira mulher a integrar a corte. Ellen Gracie Northfleet, ex-presidente do TRF-4, recebeu votos senatoriais que levaram em conta "beleza", "charme", "elegância física", etc.

Na ocasião (novembro de 2000), o momento mais constrangedor foi quando, ao anunciar o voto em Ellen, o senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) – médico de profissão - disse que “como ginecologista, aprendi a lidar de perto com as mulheres, entendendo muito profundamente a sensibilidade feminina".

Outras pérolas

Da mesma sessão do Senado em que Ellen Gracie foi aprovada - para depois (23.11.2000) ser ungida pelo presidente FHC – outros despautérios verbais revezaram elogios à inteligência dela e - não escondendo o machismo - à sua beleza física:

"A senhora não veio ser sabatinada, veio ser homenageada" - declarou o senador José Agripino (DEM-RN).

"Eu não poderia deixar de participar dessa homenagem” – pipocou o senador Aloisio Mercadante (PT-SP).

• “O meu voto ainda leva em conta a beleza e o charme e assim voto com muito prazer” – derreteu-se o senador Wellington Salgado (PMDB-MG).

Ao final da sessão, após a aprovação unânime, o presidente da CCJ, Antonio Carlos Magalhães (DEM-BA), tentou amenizar o coletivo verborrágico das declarações inoportunas. Disse então que a ampla aceitação do nome de Ellen se devia "à elegância física e moral, à dignidade e sobretudo à competência dela".


Comentários

Jane Rossi - Advogada 15.02.17 | 19:09:20
O desrespeito e menosprezo às profissionais graça o ridículo. Cediço que quociente de inteligência não se mede pela beleza física da mulher, ou homem. Ocorre que, para angariar conhecimento jurídico e exercer as profissões deste saber, precisamos cursar Direito, no mínimo. Ser parlamentar: não é exigido comprovação de colação de grau em faculdade nenhuma, basta ter um nome conhecido no bairro, cidade, Estado ou país. Pode ser semi analfabeto, desprovido de QI e nenhuma prova lhe é pedida.
Alceu Molinari Dall Agnol - Advogado 14.02.17 | 16:48:20
Nem tudo o que desagrada as mulheres é machismo. Homem tem moral, ponto de vista, direito de se manifestar e de fazer o próprio juízo. Qualquer contraste ou diferença entre atos ou mesmo pontos de vista envolvendo um homem e uma mulher atualmente é analisado com base no 'machismo', sobrando para o homem, evidentemente, a condição de vilão. Não é preciso rastejar para respeitar as mulheres. Se elas realmente têm as mesmas condições que os homens, podem defender suas posições por si sós.
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