Ir para o conteúdo principal

Sexta-Feira, 20 Outubro de 2017
http://espacovital.com.br/images/mab_123_12.jpg

Patos, perus e cestas para advogados...



Charge de Gerson Kauer

Imagem da Matéria

 

 Mimos compensatórios para a advocacia

Num bem inspirado artigo – que viralizou na internet esta semana - a advogada Ingrid Birnfeld analisou as diversas facetas da briga entre a advocacia gaúcha e 56 juízes do Trabalho, que liberam só em nome dos reclamantes os alvarás para levantamento de dinheiro.

No contexto, ela reproduziu um diálogo no balcão da secretaria de uma Vara do Trabalho. Ali, um trabalhador, sobraçando um pato vivo, adornado por uma fita vermelha, pergunta à servidora:

- Hei, moça, com licença. ´Tô´ passando aqui pra deixar um presente de agradecimento pro meu advogado. A senhora pode entregar?

Constrangida, a chefe de secretaria explica que “não podemos receber nada aqui na vara, e mesmo que pudéssemos, não conheço seu advogado, não conseguiria entregar o presente”.

Em cima do precedente, o Espaço Vital realizou uma enquete com 200 advogados (todos de pequenos escritórios), mas que patrocinam ações na Justiça do Trabalho.

V. já recebeu algum presente de (ex) cliente que tentava evitar o pagamento de honorários contratuais?” – perguntou o colunista. O formulário pedia também que os presentes fossem relacionados.

Chegaram 153 respostas. Destas, 99 foram afirmativas, relacionando os “mimos compensatórios”. Na curiosa relação, itens como pasta de curvin, ingressos para cinema e teatro, caixa de bombons, espumantes (de má qualidade), cestas de Natal (que foram as mais votadas), peru defumado, folhagens, flores etc.

O chargista Gerson Kauer, fazendo graça, se encarregou de acrescentar outros itens curiosos na ilustração, como uma foto autografada do notório senador Romero Jucá (PMDB-RR).

  Há quem jure!...

... Ser verdade que uma ativa dirigente da OAB-RS – driblada por um ex-cliente vencedor de uma demanda contra o seu ex-empregador – recebeu, em substituição ao dinheiro, uma pretensa compensação gastronômica.

Em incrementada embalagem de isopor, aportaram ao escritório dela dois patos assados, adornados por especiarias. A advogada mandou devolver.

 Suruba jurídica

Na sessão da 1ª Turma do STF, na terça-feira (21) o ministro Luiz Fux levou a julgamento um inquérito em que o deputado federal Celso Jacob (PMDB-RJ) é acusado de fraudes em licitação e contratações irregulares de servidores, quando ocupava o cargo de prefeito de Três Rios (RJ).

No caso, ele concluiu o mandato como alcaide (onde gozava de foro na 2ª instância no TJ-RJ), depois tomou posse como deputado federal (ganhando foro no STF). Após deixou de ser deputado (processo baixou para a primeira instância), e novamente voltou a ocupar o mandato parlamentar (ação de novo no STF).

Na sessão do Supremo, o julgamento foi interrompido, por um pedido de vista da ministra Rosa Weber.

Para parodiar o senador Romero Jucá (PMDB-RR), isso sim é que é uma verdadeira suruba jurídica, que prazerosamente leva à... prescrição. (Inquérito nº 3.674).

O Dicionário Aulete não liga necessariamente a suruba a uma “orgia sexual que reúne três ou mais pessoas”. A publicação diz que o substantivo pode ser usado também para definir “situação em que há uma grande desordem, bagunça, confusão”.

O Espaço Vital lembra que Celso Jacob envolveu-se, este ano, em outra polêmica, ao queixar-se de que estaria recebendo pouca atenção dos ministros de Michel Temer, que não o atendiam.

Jacob escreveu então nas redes sociais que "às vezes me sinto a filha da empregada pobre, mas gostosa. Só serve pra comer e depois nem fala”.

 É hora de lembrar...

O foro privilegiado é cria da Constituição outorgada pela Junta Militar, no auge da ditadura.

Desde a vetusta Carta Magna de 1824, até a satânica EC nº 1/1968, não houve foro especial para parlamentares, nem magistrados e procuradores de justiça.

Criado o monstro constitucional, os políticos pós-1964 foram mantendo a benesse sucessivamente.


Comentários

Simone Maria Serafini - Advogada 24.02.17 | 09:33:47
Eu recebo muito como pagamento, principalmente de parentes, o "Deus lhe pague".... Já tentei no posto, supermercado, etc, usar esta mesma moeda como pagamento e não consegui!...
Paulo Ricardo De Jesus Rizzotto - Advogado 24.02.17 | 08:58:56
Quanto ao tormentoso assunto relacionado a honorários advocatícios (sucumbenciais e contratuais), há que se citar também a atuação da OAB, que muitas vezes ignora os contratos de honorários entre advogado e cliente e determina - mediante reclamação - a devolução dos valores recebidos a este título, tudo, diga-se de passagem, mediante a ameaça de suspensão e multa. Logo, se o próprio órgão de classe não prestigia seus quadros, não podemos esperar tratamento diferenciado da Justiça.
Banner publicitário

Mais artigos do autor

Exame de Ordem passaria a ter quatro fases

• Projeto de lei em tramitação na Câmara propõe que o certame seja feito em quatro etapas, ao longo da graduação.
• Lava-Jato apresenta uma das maiores concentrações - se não a maior - de réus milionários do mundo.
• Sérgio Moro está cansado e pensa em sair da 13ª Vara Federal de Curitiba.
• Bailarina também sofre acidente do trabalho?

O voo “direto” Rio/Orlando que demorou 14 horas e meia

• Os imprevistos quase insuportáveis impostos aos passageiros da Latam, que fariam um voo sem escalas de 8 horas e 15 minutos.
• STJ julgará pela primeira vez se guarda de cão (disputado por ex-cônjuges) pode ser resolvida como “regulamentação de visitas”.
• Supremo decidirá se cigarros com sabor devem ser proibidos.
• Em 16 anos, aumenta oito vezes, no Brasil, o número de mulheres presas.

Um caos jurídico para os leigos

• Voto-desempate de Cármen Lúcia coloca o destino de Aécio Neves no colo do Senado.
• A presidente do STF amarelou.
• Uma nova proteção para que parlamentares continuem cometendo crimes.
• Decisão do STJ: repasse dos custos administrativos da instituição financeira com as ligações telefônicas dirigidas a consumidores inadimplentes não configura abuso.
• Pagamento de débito tributário, mesmo após o trânsito em julgado da sentença condenatória, é causa de extinção da punibilidade.

Inseparáveis, duas irmãs anunciam que vão compartilhar o mesmo marido

• A busca, no blog de Adel e Alina, 22 de idade, por um “marido estupidamente rico e de mente aberta”.
• Financeira condenada por abuso contra idosa analfabeta.
• A “amada amante” presa com 200 mil euros na calcinha.
• Bancos abrem nova frente de lerdeza, agora no STF, para tentar melar, Brasil afora, o pagamento de indenizações aos poupadores.

Como seria um ´smartphone´ de R$ 12,3 mil?

• Tribunal cancela pregão de R$ 758 mil para comprar 60 aparelhos telefônicos para desembargadores e assessores. Corte “agradece as críticas construtivas enviadas à instituição”.
• As 16 barras de ouro guardadas por Nuzman, na Suíça, superam os recordes olímpicos do nadador Michael Phelps.
• E uma demissão por justa causa por causa de...um iogurte (Sem ouro, nem prata).

Desembargadores conectados por meio dos celulares mais caros do mercado

• Novo penduricalho fará mimo para 52 magistrados e oito assessores do TJ de Pernambuco, a um custo de R$ 758 mil – pago pelo Estado, é claro...
• Ação penal que pretende levar Paulo Maluf à cadeia já tem 25 anos.
• Lava Jato já condenou 107 criminosos em Curitiba. No STF, nenhum.
• Viagens internacionais pagas pela Câmara Federal a 274 deputados. Tem até um encontro com diretores da Disney...