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Terça-Feira, 17 Outubro de 2017

Quatro semestres de estudos perdidos!



Um estudante que frequentou aulas durante quatro semestres, pensando que fazia um curso superior de Comércio Exterior, e depois foi remanejado para o curso de Administração, receberá reparação financeira por danos morais. Ele descobriu que o curso no qual se matriculou, na verdade, não existia.

A 4ª Turma do STJ entendeu que a situação pela qual passou o estudante Tiago Abrão Querino dos Santos configurou dano moral, pois houve omissão de informações por parte da Fundação Educacional Guaxupé, de Minas Gerais, principalmente no que diz respeito ao fato de que o diploma não habilitaria o aluno para o exercício de funções na área desejada por ele.

Afinal, o curso de Comércio Exterior foi ofertado pela instituição em desacordo com as normas do Ministério da Educação, o que mais tarde levou à realocação dos alunos.

Para o relator do recurso julgado, ministro Marco Buzzi, “diferentemente dos casos em que a instituição de ensino não consegue nota suficiente na avaliação do Ministério da Educação, o caso analisado trata de uma situação em que a faculdade tinha informações de que não estava apta a oferecer aquela graduação no momento em que fez a oferta do curso”. Conforme o julgado, “ficou nítida a propaganda enganosa”.

Ao acolher o recurso do ex-aluno, os ministros definiram em R$ 25 mil o valor a ser pago a título de danos morais, além da condenação imposta por danos materiais (o valor corrigido das mensalidades pagas no período).

O julgado superior destacou que “a frustração vivida pelo aluno encontra amparo nos dispositivos do Código de Defesa do Consumidor, pois a situação vivenciada, em razão da omissão na publicidade do curso pela instituição de ensino, ultrapassou a barreira do mero aborrecimento, porquanto atentou contra o direito do consumidor de não ser enganado”.

O relator rejeitou o argumento de que as mudanças foram fruto da Resolução nº 4/05 do Ministério da Educação, já que, no momento da propaganda do curso e da matrícula dos alunos (um ano após a resolução), a instituição de ensino já tinha conhecimento da norma que modificava e readequava o curso, razão pela qual não pode alegar caso fortuito ou força maior.

A omissão de informações gerou propaganda enganosa, na visão dos ministros, e violou também o artigo 37 do CDC.

Em nome do autor atuou o advogado Abílio Wagner Abrão. (REsp nº 1342571 – com informações do STJ e da redação do Espaço Vital).


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