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Edição de sexta-feira , 25 de maio de 2018.
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Eles estão ganhando!....



Desde o lamentável episódio da morte de Teori Zavascki (que permanece e certamente vai continuar envolto em névoa), instalou-se e vem crescendo entre os brasileiros menos ingênuos uma espécie de inquietação ou sentimento de mal-estar, na forma vaga de uma percepção incômoda: “os bandidos estão vencendo”. Assim como se fosse um mau cheiro ou um sabor suspeito, um tanto indefinido mas por certo desagradável. E não é a água do DMAE...

Desde então, acumulam-se os indícios de que, misteriosamente ou nem tanto, quase todos os acontecimentos ulteriores têm favorecido a quadrilha responsável pelo maior e mais despudorado assalto ao patrimônio público registrado pela nossa História. O sopro de esperança instalado na opinião pública nacional a partir das investigações na Petrobrás, seguidas de outras relativas a malfeitorias diversas, vai esmorecendo. Em seu lugar, crescem o cansaço, o desalento e a conformidade.

A primeira mandatária foi afastada, mas ninguém ignora que seu substituto está igualmente ou mais comprometido na roubalheira inaudita dos dinheiros públicos. Tão prestigiados têm sido os barões do peculato que já são sete ou oito os ministros de Estado dispensados em razão de seu envolvimento nas falcatruas passadas ou em algumas mais recentes. Imagine-se quantos seriam se não gozassem do generoso “benefício da dúvida” oficializado em inacreditável deliberação presidencial.

Olhando-se para o Parlamento, o quadro é igualmente desolador. Quanto mais corrupto for o deputado ou senador, tanto maiores serão suas chances de assumir posições de mando, no seu próprio âmbito ou no ambicionado gabinete ministerial, onde o controle de verbas e propinas é mais direto e concentrado. O (mau) passado não condena; ao contrário, recomenda e engrandece. Quem estiver livre de suspeita é que não tem vez. Os sujos herdarão a terra arrasada.

Agachado e diuturnamente desmoralizado, o Congresso se vai convertendo em instância meramente homologadora dos desvios de poder, aos quais se apõe o rótulo de reformas indispensáveis e salvadoras. Quando não está ocupado nesse mister, só cuida de preservar-se e ocultar as culpas de seus membros, no afã maldisfarçado de anistiá-los e eximi-los de punição. Nada há que esperar-se também da oposição, inane e temerosa, esmagada pelo peso de suas próprias danações.

Restaria o Judiciário. Mas também ele, por sua cúpula, antes mesmo de começar a ser aparelhado como vem sendo, tem dado margem à impressão de conivência e submissão a um grande pacto de impunidade, ao placitar iniciativas francamente afinadas com esse objetivo, patrocinadas pelos demais poderes. De resto, a lentidão crônica, progressivamente agravada pela enorme multiplicação das ações penais originárias, é cada vez mais desanimadora.

Há um alento: o País está (ou estava) mudando. Grandes e intocáveis empresários e até políticos outrora onipotentes mudaram-se da crônica social para a policial. Alguns deles estão na cadeia – aquela propriamente dita, que antes se dizia ser lugar só dos três PP: pobre, preto e prostituta. Os otimistas talvez lembrem a receita clássica do cinema de ação, onde os mocinhos passam o tempo todo apanhando, mas, no final, viram o jogo para a vitória do Bem.

Pode ser que tenhamos essa sorte. Se houver mocinhos sobreviventes.
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Leia outros artigos de Adroaldo Furtado Fabrício.


Comentários

Marco Aurélio Dos Santos Caminha - Advogado 10.03.17 | 16:40:29
Como sempre o articulista foi arguto e abrangente. É sempre uma satisfação impar ler seus escritos. Marco Aurélio Caminha
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