Ir para o conteúdo principal

Edição antecipada 21-22 de junho de 2018.

Amélia, a mulher de verdade



Charge de Gerson Kauer

Imagem da Matéria

Depois de oito anos de um relacionamento íntimo interessante, médico e professora se desavieram financeiramente na hora da separação e a questão foi a Juízo. O juiz julgou improcedente o pedido da mulher, declaratório de dissolução de união estável, cumulado com partilha de bens.

Para o magistrado, “tal união somente é reconhecida se o casal teve a intenção, quando estavam juntos, de constituir família”. O julgado acolheu a tese contestatória de que “a existência de um relacionamento amoroso longo, contínuo e de conhecimento público não basta para provar a união estável”.

O caso chegou ao TJ. O relator confirmou a sentença, mas a revisora divergiu. “Essa mulher deveria ser chamada de Amélia e não de Ângela como está escrito em sua certidão de nascimento”. Nessa linha, a desembargadora afirmou “a existência de provas inequívocas da união estável, tanto que ela pediu licença-prêmio no magistério para cuidar do ex-companheiro durante o período em que ele esteve doente - comprovando dessa forma o envolvimento familiar. Ela não tinha a menor vaidade, ela era mulher de verdade”.

Detalhe: nas compras de supermercados – que faziam juntos – sempre o gasto maior era pago por ela. Talvez o médico fosse pão-duro...

O vogal confirmou a improcedência: “Ainda que ambos fossem livres e desimpedidos - ela solteira e ele divorciado - permaneceram administrando separadamente suas vidas, tanto que até mesmo as compras em supermercado eram pagas individualmente”.

E repetiu, da sentença, a afirmativa de que “o médico manteve outros achegos durante o período em que durou o relacionamento com a professora - com o que a relação não ultrapassou a seara do namoro, ora firme, ora escorregadio e descompromissado”.

A desembargadora revisora quis consolar: “Pobre Amélia!” – disse.

Proclamado o resultado, o advogado do médico, satisfeito com a vitória judicial, tirou a beca e tamborilou os dedos na pasta.

E parodiando, saiu evocando estrofes conhecidas da música de Mário Lago e Ataulfo Alves:

“Nunca vi fazer tanta exigência /
Nem fazer o que esta mulher faz /
Ela não sabe o que é consciência /
Nem vê que o médico é um pobre rapaz”.

O advogado levou uma alfinetada do presidente: “Doutor, aqui não! Se cabível, faça a comemoração em seu escritório”.


Comentários

Banner publicitário

Notícias Relacionadas

Charge de Gerson Kauer

Distribuição de chupeta (s)

 

Distribuição de chupeta (s)

A entrega de chupeta a um médico que, em audiência, se opunha à pensão alimentícia que teria que pagar. Mas - segundo a “rádio-corredor” forense - os bicos ortodônticos também eram oferecidos pelo juiz a advogados com quem ele estaria em linha de confronto jurídico. 

Charge Gerson kauer

Mulher juíza, não!

 

Mulher juíza, não!

Caro leitor(a), palpite onde ocorreu. Envie o cupom eletrônico, depois de ler a história de um ´machista´ que – durante audiência - deixou em polvorosa uma magistrada, uma promotora, uma defensora pública, uma escrevente e uma estagiária. Ele era acusado de crime ambiental: maus tratos contra o seu próprio cavalo.

Charge de Gerson Kauer

   Recurso especial com sabor de queijo francês

 

Recurso especial com sabor de queijo francês

Não se tratou do já tolerado erro do “copia e cola”. Era uma folha à parte, íntegra e autêntica, contendo um ensinamento culinário: “Em uma tigela, misture três tomates maduros, três colheres de azeite e três colheres de manjericão fresco picado”.

Gerson Kauer

Reunião da turma de Direito

 

Reunião da turma de Direito

Por que, de 1988 a 2018, o mesmo grupo de advogados (as), magistrados(as) e promotores(as) decidiu, a cada dez anos, sempre comemorar o aniversário de formatura na... churrascaria Picanha Excelência.

Charge de Gerson Kauer

Barbatimão jurídico

 

Barbatimão jurídico

Em processo de divórcio litigioso, o estagiário – que sempre faz minuciosos projetos de sentença - deparou-se, estupefato, em meio às petições, com uma confidência que um dos advogados da causa fizera à sua dileta noiva. Era mais um caso de erro do “copia e cola”

Charge de Gerson Kauer

Exagero na relação conjugal

 

Exagero na relação conjugal

Meia-noite de uma sexta-feira, Sua Excelência e a esposa – ele cinquentão, ela quarentona - tentam apimentar o relacionamento sexual. Por isso combinam que ela, em decúbito ventral, será algemada num dos decorativos vãos da cabeceira da própria cama do casal