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Edição de sexta-feira , 18 de maio de 2018.

Deboche bilionário



Por Vilson Antonio Romero, jornalista, auditor fiscal, presidente da Anfip e conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa.

Vilsonromero@yahoo.com.br

Quem assiste aos vídeos dos depoimentos das delações premiadas, liberados pelo STF, fica estupefato com a desfaçatez, o deboche e o escárnio com que os depoentes, mandatários maiores da empreiteira, e seus prepostos, tratam o Estado brasileiro e seus propósitos.

Há um intenso e inapagável ar de menosprezo ao governo e suas estatais e à parte podre da plêiade política que, desavergonhadamente, se vendeu por milhares ou milhões de dólares, euros ou reais.

A que ponto chegou a latrina pública onde vicejam as pragas purulentas da corrupção?

Enoja ao cidadão comum saber que durante os últimos 30 anos a “res publica” foi loteada, fragmentada, repartida por uns poucos cidadãos desprovidos de todo e qualquer pudor e caráter. Por mais que possamos contar, no presente caso, com uma lista onde consta menos de 10% dos atuais congressistas, sempre cheirará de forma nauseabunda todo o antro circundando os Salões Verde e Azul do Parlamento Nacional.

A lama também escorre entre as pernas dos Dragões da Independência perfilados, descendo inclemente na rampa do Palácio para a Esplanada dos Ministérios.

Um governo que se pretendia cercado de notáveis, viu-se ilhado num covil de notórios. Notórios investigados e, previsivelmente, indubitáveis réus. E se espraia pelo Brasil o serpenteante réptil que já se apossou, em contas preliminares, de mais de US$ 3,3 bilhões, algo como R$ 10 bilhões, em propinas, superfaturamentos, licitações combinadas, caixas dois ou três, enfim, operações escusas e criminosas.

Dinheiro suficiente para muitas bolsas-família, creches, estradas asfaltadas, escolas, infraestrutura, investimentos e segurança pública melhor para toda a enjaulada população.

Vamos sangrar dolorosamente durante muito tempo, talvez décadas, antes que este buraco de esgoto seja tampado. Mas, pode ser somente o início do desvendamento de muitos outros que vicejam ainda e não foram trazidos à luz do sol.

O brasileiro, graças ao Senhor, ainda tem uma arma na mão: o título de eleitor. No ano que vem, temos que empunhar com seriedade esta munição e disparar com certeza e tirocínio. Aprendamos a votar melhor e extirpar este tecido político canceroso. Este cancro que necrosa a Nação brasileira. E que destrói a esperança de milhões de brasileirinhos que já nascem num mar de corrupção e desalento.


Comentários

Luiz Fernando Jardim De Almeida - Advogado 18.04.17 | 14:57:12

Concordo com a colega Virgínia. Infelizmente não restam opções ao povo, que tem sim uma arma, mas uma arma sem munição. Não há em quem votar num sistema político podre, que foi moldado para a burocracia favorecer a corrupção. Não há em quem votar num sistema de imunidades e regalias, de votos secretos, onde um deputado federal percebe 100 mil reais entre salário e verbas de gabinete e auxílios infinitos. Onde quem faz as leis não tem o menor preparo para tanto, bastando ter dinheiro...

Virginia Barbagli - Advogada 18.04.17 | 11:52:53
Concordo com o nojo que esta a sentir o articulista. Porém discordo, em parte, de que o titulo eleitoral e a boa escolha do politico eleito sejam a solução para a corrupção, posto que o sistema eleitoral, também viciado, não
permite escolha que não seja dentro das definidas pelos partidos políticos, todos eles corruptos e com interessem
previamente definidos
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