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Edição de terça-feira , 18 de setembro de 2018.

Senhores advogados, levantem-se!



Charge de Gerson Kauer

Imagem da Matéria

Três semanas depois de o novel juiz chegar à comarca, era a primeira segunda-feira com audiências marcadas por ele. Os advogados e as partes foram entrando na sala, sendo surpreendidos por chamativo aviso: “Em estrito respeito ao Juízo, todos deverão levantar-se no momento que o MM. Juiz adentrar a sala de audiências”. 

Para completar o contexto de estímulo à juizite, quando o magistrado entrava, a escrivã se punha de pé, batia rápidas palmas e disparava: “Levantem-se todos, por favor”.

A “determinação” (?) vigorou por três dias, mas já na quinta-feira, a Subseção da OAB lançou crítica, afirmando que “os advogados não estão obrigados a cumprir tal abusiva, canhestra e obliterada exigência”.

O cartaz oficial foi, então, substituído por outro mais moderado, mas ainda assim verborrágico: “Solicita-se, nesta sala, a manutenção, por todos aqueles que fazem parte da solenidade, de condutas desejáveis”.

Os advogados combinados – e após instruírem seus respectivos clientes – seguiram todos não se levantando quando o juiz chegava, mas proferindo-lhe, sempre, mensagens cordiais de “bom dia”, ou “boa tarde”, retribuídas apenas com maneios da cabeça.

O magistrado deu, então, outra conformação ao perfil: passou a presidir, de pé, as audiências, sempre repetindo que “esta posição é parte da liturgia, em fazer do ato processual uma solenidade, para que as pessoas sintam a seriedade”.

Seguiu o tititi na comarca por mais uma semana, até que a Corregedoria recomendou ao juiz que desistisse da ideia. Foi assim, então, que na semana seguinte, ele desistiu de ficar de pé, passando a sentar-se num recém adquirido, caro, confortável e luzidio cadeirão azul turquesa, último tipo.

Não faltou a aposição de um discreto adesivo: “Poltrona de uso exclusivo do MM. Juiz”.


Comentários

Horacio Alfredo Comes - Advogado 25.04.17 | 22:27:08
Se eu me levantar é que será desrespeito.
Iolanda Ramos Noble - Advogada 25.04.17 | 16:39:31

É o fim ! O que que leva um mero servidor público a pensar que tem superioridade para exigir dos contribuintes - que sustentam seu salário e privilégios - qualquer coisa?

Nedson Culau - Advogado 25.04.17 | 11:48:16

A pergunta que não quer calar é: Se na sala uma pessoa paraplégica não se levantar será desrespeito?

Beatriz Moreira Siqueira - Aposentada E Advogada 25.04.17 | 10:24:01

Com alegria li nas notícias do TJRS que a magistrada Dra. Lusmary Turelli que a conheci na comarca de Carazinho é nova desembargadora. Tal motivo de alegria reporta-se à grande magistrada que foi em Carazinho, lembranças de sua educação, civilidade e usou da Justiça com clareza e dentro das prerrogativas do cargo. Precisamos ter em mente que cada vez mais necessita-se de juízes com o exemplo citado. Parabéns pela nova etapa na vida pessoal da desembargadora Lusmary.

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