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Sexta-feira, 23 de Junho de 2017

O Excelentíssimo Juiz Justimiano



Charge de Gerson Kauer

Imagem da Matéria

Texto do advogado Reginald Felker 
Reprodução da edição de 29.03.16

Empossado e designado para uma comarca interiorana, o doutor Justimiano tratou de concretizar seu matrimônio com Marietinha.

No segundo dia de trabalho no fórum, estabeleceu manter-se afastado de maior contato com advogados, os quais poderiam falar com ele, fora das audiências, apenas nas quintas-feiras, das 18 às 18h30, mediante prévia inscrição no cartório e manifestação sobre o assunto a ser tratado.

Já no início de suas atividades, o novel magistrado foi tomado por grande frustração decorrente do fato de não poder aplicar uma verdadeira justiça, de acordo com a tradição histórica e o ensinamento das Sagradas Escrituras, manifestados no Antigo Testamento, que ele dizia ser “o receptáculo dos desígnios divinos para a humanidade”.

A esposa Marietinha levava uma vida reclusa, pois o esposo não gostava que ela saísse sozinha. O augusto juiz não visitava ninguém, não aceitava convite algum para festa ou solenidade – a não ser a cerimônia cívica do 7 de Setembro.

Ouvindo, um dia, a queixa da cônjuge sobre a vida isolada que levavam, Justimiano acedeu em que ela convidasse algumas senhoras da “melhor estirpe na cidade”, para um chá em sua residência. Assim, após a chancela do marido, foram chamadas as esposas do promotor, do delegado de polícia, do exator e do prefeito.

Na tarde do chá, Justimiano - instalado em seu gabinete na residência - deixou a porta entreaberta, de modo a que, sem ser visto da sala, pudesse escutar qual era o papo feminino. Ficou embevecido, então, em saber que, repetidamente, a esposa – ao se referir a ele – usava a expressão ´Sua Excelência´.

Foi assim que Justimiano escutou frases ditas por Marietinha como “Não pus açúcar no chá por não saber como vocês preferem, pois Sua Excelência toma sem açúcar”..., “Sua Excelência sempre me ajuda nas compras do supermercado”...,“Sua Excelência é o primeiro sempre a chegar no fórum”...

E por aí...

Ao final do chá, a esposa do juiz e as quatro distintas damas combinaram repetir o encontro na última sexta-feira de cada mês. Passados vinte e poucos dias, após receber o telefonema lembrando o novo encontro, a mulher do delegado ligou para a mulher do promotor:

- Vais ao chá da Marieta?

- Deus me livre! Aguentar aquela chata que só fala nas proezas e manias de Sua Excelência, o seu marido...

Resultado: as quatro convidadas declinaram do convite, alegando afazeres diversos. Assim, Marietinha desolada cancelou o encontro, o que logo informou ao marido. Este a consolou com a remessa de um econômico ramalhete de três rosas – que nem vermelhas eram - acompanhadas de um formal cartão: “Não te amofines, amada Marieta. Essa gentinha não vai porque fica constrangida em conviver com pessoas da mais alta classe social”...


Comentários

Benedito Felipe Rauen Filho - Advogado Inativo 26.04.17 | 16:10:25
O blogueiro não tem fatos pitorescos ou piadas de outros lidadores do Direito para publicar? Tenho certeza de que não são só os juízes os personagens de "historinhas". Muitas devem haver de promotores, advogados, delegados de polícia, etc.
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