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Sexta-Feira, 15 de Dezembro de 2017

Reforma da Previdência, nos olhos dos outros, é refresco.



Artigo de Rodrigo Puggina, advogado (OAB-RS).
rpuggina@terra.com.br

“Reformas, reformas e reformas”! Tais palavras, que deveriam ser proferidas pela população brasileira em razão do descalabro da política nacional e da falta de moralidade pública, são palavras de primeira ordem do Governo Federal e Congresso Nacional. Sequer é necessário discorrer sobre a ilegitimidade de “alguns” políticos.

Ao menos, o que nos conforta, é que pessoas como o deputado Carlos Marun, aquele que defendia fervorosamente o deputado Eduardo Cunha (condenado recentemente a 15 anos de prisão), é o escolhido para presidir a Comissão da Reforma da Presidência.

A grande tristeza neste processo de reformas é que algumas injustiças não serão revistas ou modificadas. Alguns absurdos sequer entram nas pautas das reformas.

Como aceitar, por exemplo, situações como a de algum aposentado do serviço público e idoso, que já tenha superado a expectativa de vida no Brasil - digamos, com uns 76 anos de idade - que se apaixone perdidamente por uma mulher que teria idade para ser sua neta (sei lá, alguma ex-miss ou ex-modelo - se é que isto serve para adjetivar alguma pessoa), que tenha por volta de trinta e poucos anos?...

É aceitável e justo que, posteriormente, com o falecimento deste idoso, esta viúva possa receber pensão vitalícia – muitas vezes sequer precisando se preocupar, assim, em trabalhar? Não tenho dúvida da resposta. Porém, isto é pauta da reforma sugerida? Nem pensar! E este é somente um dos tantos exemplos aleatórios.

A reforma da Previdência não vai atingir com tanta intensidade aquele que possui família de poder aquisitivo, a qual poderá sustentar o indivíduo até que complete a faculdade e se firme em uma profissão, talvez lá pelos trinta e poucos anos de idade.

E, se atingir de alguma forma, não será de maneira tão significativa como aquele que é obrigado a trabalhar desde os 14 anos de idade (ou antes), em empregos extremamente desgastantes, sequer alcançando, na imensa maioria, a expectativa de vida daquele senhor idoso pelo qual as meninas jovens se apaixonam perdidamente.

Como escrevi no título, reforma da Previdência, nos olhos dos outros, é refresco...


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