Ir para o conteúdo principal

Sexta-feira, 19 de Maio de 2017

Reforma da Previdência, nos olhos dos outros, é refresco.



Artigo de Rodrigo Puggina, advogado (OAB-RS).
rpuggina@terra.com.br

“Reformas, reformas e reformas”! Tais palavras, que deveriam ser proferidas pela população brasileira em razão do descalabro da política nacional e da falta de moralidade pública, são palavras de primeira ordem do Governo Federal e Congresso Nacional. Sequer é necessário discorrer sobre a ilegitimidade de “alguns” políticos.

Ao menos, o que nos conforta, é que pessoas como o deputado Carlos Marun, aquele que defendia fervorosamente o deputado Eduardo Cunha (condenado recentemente a 15 anos de prisão), é o escolhido para presidir a Comissão da Reforma da Presidência.

A grande tristeza neste processo de reformas é que algumas injustiças não serão revistas ou modificadas. Alguns absurdos sequer entram nas pautas das reformas.

Como aceitar, por exemplo, situações como a de algum aposentado do serviço público e idoso, que já tenha superado a expectativa de vida no Brasil - digamos, com uns 76 anos de idade - que se apaixone perdidamente por uma mulher que teria idade para ser sua neta (sei lá, alguma ex-miss ou ex-modelo - se é que isto serve para adjetivar alguma pessoa), que tenha por volta de trinta e poucos anos?...

É aceitável e justo que, posteriormente, com o falecimento deste idoso, esta viúva possa receber pensão vitalícia – muitas vezes sequer precisando se preocupar, assim, em trabalhar? Não tenho dúvida da resposta. Porém, isto é pauta da reforma sugerida? Nem pensar! E este é somente um dos tantos exemplos aleatórios.

A reforma da Previdência não vai atingir com tanta intensidade aquele que possui família de poder aquisitivo, a qual poderá sustentar o indivíduo até que complete a faculdade e se firme em uma profissão, talvez lá pelos trinta e poucos anos de idade.

E, se atingir de alguma forma, não será de maneira tão significativa como aquele que é obrigado a trabalhar desde os 14 anos de idade (ou antes), em empregos extremamente desgastantes, sequer alcançando, na imensa maioria, a expectativa de vida daquele senhor idoso pelo qual as meninas jovens se apaixonam perdidamente.

Como escrevi no título, reforma da Previdência, nos olhos dos outros, é refresco...


Comentários

Banner publicitário

Notícias Relacionadas

Quando o imposto vira crime

Empresários estão sendo convocados em delegacias da Polícia Civil e da Polícia Federal para prestar contas de seus débitos fiscais, notadamente quando se entende que estes estão atrelados a alguma prática delitiva fiscal”. Artigo do advogado Carlos Eduardo Delmondi.

Duas categorias de juízes

Magistrada Ludmila Lins Grilo, da Justiça Estadual de Minas Gerais, observa que existem duas Justiças no Brasil, que não se misturam. Uma é a dos juízes por indicação política; a outra é a dos juízes concursados. "Sem constrangimento algum, rogo-lhes: não me coloquem no mesmo balaio do STF. Faço parte da outra Justiça: a de verdade".

E quem protege o empresário?

“Bem-vinda reforma trabalhista! O que houve, nas últimas décadas, foi o abandono da classe empresarial e a vitimização dos proprietários da mão de obra”. Artigo de Eduardo Berndt, especialista em gestão de empresas.

A aposentadoria e os “privilégios” dos servidores

Temos que fazer alguns ajustes, em razão da evolução demográfica, mas não pode ser com rupturas, nem com demagogia e ataques gratuitos à dignidade dos que, independentemente de governo, seguem servindo à sociedade com seriedade e eficiência”. Artigo de Vilson Antonio Romero, jornalista e auditor fiscal.