Ir para o conteúdo principal

Terça-feira, 27 de Junho de 2017

Assaltantes impiedosos e banqueiros mercantilistas



Sentença da 30ª Vara do Trabalho de Porto Alegre considerou, para efeitos condenatórios, o trauma sofrido por uma bancária e o agir mercantilista do Banco Itaú, em ação por acidente do trabalho, em que foi reconhecido à trabalhadora o direito de receber pensionamento (100%) enquanto perdurar a patologia em decorrência da incapacidade laborativa.

Durante um assalto, em 29 de abril de 2014, à agência Itaú Personalíté Três Figueiras (Av. Nilo Peçanha nº 2420, Porto Alegre), a bancária teve que segurar uma granada, enquanto os criminosos saqueavam a agência. Ela tinha, então, 52 de idade.

A trabalhadora foi rendida ao chegar ao trabalho, tendo armas apontadas para sua cabeça. A vida dos familiares dela – entre os quais dois filhos menores - também foi ameaçada durante a investida dos criminosos, que haviam estudado a rotina da família e tinham informações e fotos da residência e os deslocamentos das crianças.

Pesou na sentença proferida pela juíza Luciana Caringi Xavier a circunstância de o Itaú ter formalmente advertido a funcionária alguns dias após o assalto, “por ela não ter adotado os procedimentos de segurança para preservar o patrimônio do banco”.

O perito judicial mensurou que “o trauma sofrido pela funcionária, que inclusive teve que deixar sua residência e se mudar para o interior do Estado, acarretou na perda total da capacidade laborativa”.

A bancária desempenhava a função de supervisora operacional; suas atividades consistiam em abrir o caixa, cuidar da tesouraria e a abertura de contas.

Na data de sua demissão pelo Banco Itaú, em 27.11.2014 – sete meses depois do assalto - a reclamante recebia o salário base de R$ 2330,43.

O Itaú também terá o encargo de custear tratamento psiquiátrico, a ser prestado por médico de confiança pessoal da lesada.

Cabe recurso ordinário ao TRT-RS. Atuam na defesa da vítima os advogados Rafael Davi Martins Costa e Vanessa Michele Rosa. (Proc. nº: 0021143-94.2015.5.04.0030).

Leia a íntegra da sentença.


Comentários

Banner publicitário

Notícias Relacionadas

Escritórios coligados registrarão advogados como empregados

Acordo celebrado em audiência na 3ª Vara do Trabalho de Porto Alegre. Duas bancas advocatícias coligadas registrarão como empregados todos os profissionais que lhes prestam serviços com subordinação, pessoalidade, onerosidade e não eventualidade”.

Horas extras retroativas para doméstica

O TST condena empregador a pagar horas a partir da vigência da Emenda Constitucional nº 72/2013, que limitou a jornada de trabalho do doméstico.  A emenda só foi regulamentada em 2015.

Multinacional condenada em R$ 20 milhões

A Eaton vem descumprindo normas de saúde e segurança do trabalho. A empresa é especializada na fabricação de transmissões mecânicas e a ação foi ajuizada pelo Ministério Público do Trabalho.