Ir para o conteúdo principal

Edição de terça-feira , 18 de setembro de 2018.

Quase Dia dos Namorados no foro!



Gerson Kauer

Imagem da Matéria

Onze de junho, véspera do Dia dos Namorados, audiência de conciliação em comarca grande do interior gaúcho. A esposa (de afazeres domésticos, separada de fato) busca formalizar a pensão alimentícia para os filhos e quer 30% a mais do que o valor oferecido pelo marido.

- Ela está querendo muito, sempre foi ambiciosa. Assim não vai sobrar nada pra mim – afirma o homem, que é pequeno comerciante e astuto vereador.

- Não é muito não, doutor, ele pode pagar, porque como todo político tem caixa 2. E, afinal, eu fiquei com três filhos para criar – responde a mulher.

- Três filhos não! São dois! – rebate o homem, já avermelhando.

- São três! – insiste a mulher.

O juiz folheia os autos, para esclarecer a controvérsia.

- Minha senhora, pela petição inicial e certidões juntadas, vejo que são dois os filhos havidos no casamento.

- Eram dois até o mês passado, mas é que fiz um exame esta semana e descobri que estou grávida, por isso estou gordinha. Vai nascer no final de dezembro – a mulher fala baixinho, falando com ternura.

O silêncio na sala dura meio minuto, enquanto os litigantes trocam ternos olhares.

- Grávida mais uma vez - e por que não me contaste!? – o homem questiona, num misto de estupefação e alegria.

- Já estavas fora de casa e achei que ficarias brabo. Mas o filho é nosso! – explica a mulher.

O homem coça o queixo e faz uma ponderação típica de político ligeiro.

- Bem, excelência... acho que advogados, juízes e promotores chamam isso de fato novo, não é? Peço, então, que o senhor suspenda o processo para que a gente tente se entender.

- É isso que a senhora quer? Reconciliar com o seu esposo e esperar junto com ele o nascimento do novo bebê? – pergunta o magistrado.

A mulher sorri afirmativamente.

- E os senhores procuradores, têm algo a dizer? - questiona o magistrado.

- Em briga ou paz de marido e mulher, eu é que não vou meter a colher! – brinca o defensor do réu, parafraseando o ditado popular.

- Constato a expressão de felicidade de minha cliente - reconhece o advogado da autora.

Audiência encerrada, os cônjuges saem de mãos dadas. Uma semana depois ingressa a petição conjunta de desistência da ação.

O amor é lindo!


Comentários

Banner publicitário

Notícias Relacionadas

Charge de Gerson Kauer

O surpreendente maranhão

 

O surpreendente maranhão

O insólito acontecimento durante a protocolar audiência: na conciliação processual de um casal que se separara, surge à mesa um sugestivo artefato erótico de silicone. A juíza ameaça chamar a polícia. E a solução é esconder o objeto provocador do (suposto) prazer por baixo do paletó de um dos advogados.

Charge de Gerson Kauer

O juiz dono da bola

 

O juiz dono da bola

A história do magistrado que – num dos habituais jogos de confraternização da turma forense – foi atingido nos ´países baixos´ por um forte chute dado pelo promotor. E a sentença verbal, proclamada ali mesmo: “O jogo está violento, eu disse que não valia bomba. Então decido: a bola está confiscada pela Justiça”.O texto é do advogado Carlos Alberto Bencke.

Charge de Gerson Kauer

“O seu nome é Fátima, doutor?”

 

“O seu nome é Fátima, doutor?”

Há alguns nomes próprios que se prestam a confusões de gênero, como Darcy, Abigail e Nadir. Entretanto, não se conhece nenhum registro de homem chamado Fátima. Só que a jovem juíza faz uma pergunta típica à estultícia...

Charge de Gerson Kauer

Um motel na própria casa

 

Um motel na própria casa

O juiz lê a minuta de decisão - feita pela estagiária - em uma ação de interdição de Dona Amélia, 80 de idade. Na documentação, um detalhe chama a atenção: a assistente social relata que os vizinhos da idosa senhora informaram que, antes de a casa dela pegar fogo, ela – ali no próprio lar - alugava quartos para casais enamorados desfrutarem de momentos de prazer. 

Charge de Gerson Kauer

O perdão judicial

 

O perdão judicial

O que acontece, em média comarca gaúcha, quando o rígido e formal juiz descobre que ele e a esposa estão sendo espionados por um voyeur - cuja “arma” é uma verruma. O interrogatório sumário, a decisão de prender o abelhudo e a remissão de culpa – com a ordem de que o acusado sumisse imediatamente. O texto é do desembargador aposentado (TJRS) Vasco Della Giustina.