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Edição de sexta-feira, 19 de outubro de 2018.

Assédio no quartel



Charge de Gerson Kauer

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A simpática, e recém recrutada, aluna da Brigada Militar concluiu o curso de soldado e foi engajada para servir em média cidade gaúcha. Já nas primeiras jornadas – tanto pela afeição ao trabalho, como por seu rostinho angelical - ela chamou a atenção do seu superior hierárquico.

Nessa conjunção, o tenente começou a favorecer a soldado nas melhores escalas: tinha horário aliviado, ficava no conforto da sala de monitoramento, ficava distante do enfrentamento com bandidos e raramente atuava em uma viatura com ar condicionado.

Não demorou e vieram elogios repetitivos: “Tu estás cada vez mais querida, bonita e gostosa”.

E não faltaram insinuações do tipo “se tu quiseres, podes te transformar no meu anjinho celestial”.

A soldado avisou os colegas mais próximos e o namorado; todos ficaram de olho no tenente. Este, culminou os despropósitos enviando insistentes achegas via celular.

Um dia, o comando do quartel foi informado, abriu-se sindicância interna e o tenente assediador teve formal repressão anotada em seus assentamentos.

Veio então a mudança de atitude. O tenente esqueceu a admiração que tinha pela soldado; mas ela continuou como subordinada dele. Porém, passou a ser escalada para patrulhamentos a pé, principalmente nos dias caniculares. E por aí se foram os despropósitos, até que uma ação por dano moral aportou no fórum.

Ouviram-se testemunhas que, entre outras coisas, afirmaram que “ele é um carrasco”, “já tinha assediado outras”. E assim o juiz sentenciou condenando o tenente e o Estado do RS, solidariamente, ao pagamento de indenização (R$ 15 mil).

Há poucos dias transitou em julgado o acórdão da apelação, que admitiu “demonstrado o assédio moral/sexual perpetrado pelo superior hierárquico da autora, tanto que punido na carreira por comentários indecorosos e descabidos contra a subordinada”.

Na semana passada, começou a fase de cumprimento da sentença. No recinto forense, o militar assediador ganhou um codinome pinçado de um dos adjetivos da prova testemunhal: “o tenente tarado”.


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