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Sexta-Feira, 17 de Novembro de 2017
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E la nave va...



Chargista Nani

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  Oitenta por cento dos dados trafegados no Planeta passam por um único grupo de empresas. O teus e os meus também. Se queres privacidade, cala-te.

  A Europa e os States estão desenvolvendo um terrorismo de Estado escalado e pavoroso. A execução de Bin Laden, caçado e abatido como um bicho em sua toca, em território “neutro”, sem protestos ou reclamações do pessoal dos direitos humanos, foi só um episódio divulgado e festejado como ato heróico. Ninguém está pensando em justiça, mas em revenge.

 Donald Trump tinha (e tem) um acordo de silêncio com a oposição (dele) acerca de certos assuntos, mesmo em meio à mais acirrada disputa. Então, o que se vê e se sabe é a ponta do pico do aicebergue. Microsoft, as sete irmãs do petróleo, as outras sete dos grãos e alimentos, partidos e jornalões, está tudo na gaveta.

  O governo mais poderoso do Mundo, o alemão – que, por ora, só quer mais dinheiro – tem recursos técnicos, bélicos e econômicos para sustentar outra longa guerra mundial (a menos que seja nuclear; aí é rapidinho para nós todos). O Japão também está perto, e os dois são de briga. Mas todos se preocupam com Coreia e Estado Islâmico, encrencas barulhentas mas menores.

  Outro foco. Michel Temer, comendo pelas beiras, ganhou tudo o que queria – uma cátedra na USP, onde botava os alunos para dormir nas raras vezes em que lá esteve, esposa bonita, fiel e comportada, a liderança balofa mas efetiva do partido mais competente e safado do Brasil (que não precisa de votos para mandar), o cargo maior da República. Não tem e não terá o respeito sequer dos seus áulicos, só bajulação e baba interesseira. Vai durar o que durar o seu verniz de Drácula fake. A História o reduzirá ao inseto que é. Mas, amado leitor, não o subestime: muito apertado, até o rato morde. Eles são perigosos e maus. Que o diga meu querido e saudoso amigo, o insubstituível Teori. (Foi substituído por aquele!)

  Começou o fim da Lava Jato; mais uma vez os quadrilheiros eleitos roeram pelas bordas. Aqueles que a queriam “delimitar” estão quase lá – inclusive o Pai da Pátria oriundo das paragens onde se morre, como disse João Cabral, “de tocaia antes dos vinte, de velhice antes dos trinta, de fome um pouco por dia” – e assim se faz a fortuna dos vencedores. Lá, todo sobrevivente é bandido.

  Aqui no Pampa amado, enquanto se mata e morre no meio da rua a qualquer hora (sem tocaia e sem susto para o malfeitor), anunciam-se como favas contadas, com pompa e estardalhaço midiático, mais seis mil policiais “na rua”. Vestido como um lorde e com o resto de cabelo penteadíssimo, o burocrata-mor do pedaço promete concurso em trinta dias (prontamente desmentido, aliás, pelos seus comandos operacionais). No mundo real, daqui a oito ou dez anos, serão nomeados uns quatro mil, em conta-gotas porque o Rio Grande continuará quebrado. Não bastarão sequer à reposição.

 O Sidnei, homem bom e trabalhador, cuja filha sumiu sem deixar vestígio enquanto ele ia comprar um lanchinho para ela, há mais de um mês, segue esmagado pela angústia de nada saber nem entender. A Polícia vai descobrir, existe lá gente séria, trabalhadora e competente. Sidnei, de todo o coração, como pai que também sou: que a descoberta seja boa, que venha pacificar a tua alma despedaçada. Ainda vais abraçá-la e, sem nunca nos termos visto no passado e provavelmente no futuro, estarei contigo nessa alegria como estou agora na tua dor imensa.

  Os helicópteros do Estado continuam voando dia e noite, ninguém sabe por quê ou para quê.

 E la nave va... Tem que ir, pela borrasca em meio aos raios e trovões, abalada, trincada, mas navegando. Desculpe, leitor paciente que até aqui me aguentaste (que ruim não poder escrever “agüentaste”!), a veia melancólica, pessimista e dispersiva: sou um convalescente; logo voltarei a se eu.


Comentários

Arlindo Letti Neto - Advogado 11.07.17 | 14:44:21
Excelente análise hermenêutica da história recente. Parabéns, mestre!
Anselmo Luiz Fagundes - Analista Jurídico 11.07.17 | 13:40:10
Inteligentíssima mensagem/notícia.
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