Ir para o conteúdo principal

Edição sexta-feira , 20 de julho de 2018.

Ex-presidente do BB destruía mensagens a cada 4 minutos



London Street Design

Imagem da Matéria

O Ministério Público Federal afirma que o ex-presidente do Banco do Brasil e da Petrobrás Aldemir Bendine e seu suposto operador André Gustavo Vieira da Silva, presos pela Operação Lava Jato nesta quinta-feira (27), cuidavam muito para evitar eventuais interceptações das comunicações entre eles.

Para isso, usavam o aplicativo Wickr e, após as conversas que travavam, destruíam as mensagens a cada 4 minutos, para evitar a utilização como prova de ilícitos praticados.

Segundo os investigadores da Lava Jato, “o aplicativo Wickr permite a troca de mensagens instantâneas entre contatos por meio de sistema de criptografia ponta-a-ponta, com a possibilidade de destruição de todas as mensagens recebidas e lidas pelos interlocutores após um período pré-determinado”.

Aldemir Bendine e operadores financeiros são suspeitos de operacionalizarem o recebimento de R$ 3 milhões em propinas pagas pela Odebrecht em favor do ex-presidente da Petrobrás.

Segundo o Ministério Público Federal, na véspera de assumir a presidência da estatal, em 6 de fevereiro de 2015, Bendine e um de seus operadores financeiros solicitaram propina aos executivos Marcelo Odebrecht e Fernando Reis, da Odebrecht.

O pedido teria sido feito para que o grupo empresarial Odebrecht não fosse prejudicado na Petrobrás e em relação às consequências da Lava Jato.

A força-tarefa destacou, no pedido de prisão do ex-presidente da Petrobrás que “por algum tipo de descuido”, Bendine fez quatro ´prints´ de conversas mantidas com André Gustavo no aplicativo – entre as quais uma mensagem que ser refere ao endereço do operador em Brasília. E não as deletou...

“O referido endereço foi utilizado no contexto desta investigação para encontros nos quais foram acertadas as vantagens indevidas destinadas a Aldemir Bendine, como revelados pelos colaboradores a Fernando Reis e Marcelo Odebrecht” - diz a equipe da Lava Jato.

Em outro “print” do aplicativo Wickr, André Gustavo e Aldemir Bendine compartilham nomes relacionados a pessoas próximas ao operador financeiro Lucio Funaro. Este foi capturado na Operação Sépsis em 1º de julho do ano passado e está preso desde então.

No contexto das conversas em que foram efetuadas capturas da tela do celular, uma delas refere-se à licitação promovida pela Petrobrás, por meio do Convite nº 1930344.16.8. Segundo os investigadores, o “print” efetuado por Aldemir Bendine em conversa com André Gustavo “corrobora os dizeres de Fernando Reis no sentido de que André Gustavo tinha acesso a informações internas, privilegiadas e confidenciais da Petrobrás, fornecidas por Aldemir Bendine”.

O que é o Wickr

 Wickr (pronuncia-se "wicker") é um aplicativo para Android e iPhone, concebido para ajudar pessoas no envio de mensagens, incluindo fotos e anexos, que são automaticamente deletados a partir de um certo tempo.

 O objetivo do programa é manter de forma sigilosa e segura a comunicação entre dois indivíduos.

• Em 15 de janeiro de 2014, Wickr anunciou que está oferecendo $100.000 a qualquer voluntário que encontrar alguma falha significativa no sistema.


Comentários

Banner publicitário

Notícias Relacionadas

Relator da Lava Jato confirma revogação da decisão que mandava libertar Lula

“A qualidade que se auto atribui o ex-presidente não tem nenhuma propriedade intrínseca que lhe garanta qualquer tratamento jurídico diferenciado, ou que lhe assegure liberdade de locomoção incondicional” – escreveu o desembargador João Pedro Gebran Neto. Revogadas todas as decisões proferidas pelo plantonista Rogério Favreto.

STJ nega novo habeas corpus interposto em favor de Lula

Após o conflito jurisdicional do domingo, houve o ingresso de 146 HCs na corte superior. Presidente Laurita Vaz diz que a decisão do plantonista Rogério Favreto, do TRF-4, foi “inusitada e teratológica”.