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Edição de sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018.

“O machismo mata”!



A Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra) e a Associação dos Magistrados da Justiça do Trabalho da 2ª Região (Amatra) divulgaram nota para manifestar "indignação" pela morte da juíza Cláudia Zerati, titular da 2ª Vara do Trabalho de Franco da Rocha (SP). Ela foi assassinada pelo marido no bairro de Perdizes no domingo (20). "O machismo mata", diz o texto.

O delegado Cristian Lanfredi, 42 de idade, que – cedido - atuava na Assembleia Legislativa de São Paulo, matou Cláudia e depois se suicidou no apartamento do casal.

Segundo o padrinho da filha do casal informou à polícia, o delegado chegou a deixar a filha do casal (uma menina de seis anos) com ele, após um desentendimento com a mulher por volta das 4h da madrugada.

Lanfredi voltou para a casa, em um prédio de alto padrão na Rua Tucuna, matou a mulher e se matou.

Vizinhos ouviram disparos por volta das 6h, foram até o apartamento, a porta estava aberta e eles encontraram o casal baleado e já morto. De acordo com o padrinho, a menina contou que os pais brigaram porque Lanfredi havia se recusado a tomar seu remédio. O delegado estava afastado do trabalho para tratamento.

A nota conjunta das duas entidades de magistrados diz que repudia "os gritantes números de feminicídio que ainda grassam no Brasil, evidenciando uma realidade trágica que, agora, colhe a vida de uma juíza do Trabalho".

As entidades dizem também que, em 2016, “contabilizavam 4,8 assassinatos a cada 100 mil mulheres, ocupando o 5º lugar no ranking mundial de países, quanto ao feminicídio”.

Pelos dados do Mapa da Violência 2015, dos 4.762 assassinatos de mulheres registrados no Brasil em 2013, 50,3% foram cometidos por familiares (33,2% pelo parceiro).


Comentários

Arthur Mombach - Advogado 23.08.17 | 13:14:05
A expansão do caso individual para a coletividade ("machismo mata") é o mesmo erro cometido por demagogos quando dizem "islamismo mata" a partir de um maluco que explode uma bomba. Cuidado pessoal, cada um é cada um, chega de induzir situações para criar supostos grupos "culpados" pelas mazelas sociais.
Charles Reis - Serventuário 22.08.17 | 18:32:15
Ah bom.
Um psicótico controlado por remédios agora é "machista"?
Tá bem 10 essa interpretação dos fatos.
Alceu Molinari Dall Agnol - Advogado 22.08.17 | 17:28:40

Desinvejável, mas é um fato a ser avaliado. Dizer que "O machismo mata" compõe visão simplória de situação complexa. Posicionamento atual submisso e sem reação na mídia atual. Defina-se, sem paixões ,o que é machismo e o que é feminismo, e teremos o suficiente para questionar quem mata: o machismo ou o feminismo.

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