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Edição de sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018.

Dona Merca, com ´c´. Ou com ´d ´ ?



Gerson Kauer

Imagem da Matéria

Tarde escaldante, juiz, advogados, partes e serventuário tomam fôlego na ensolarada sala da Vara do Trabalho, em média cidade do interior gaúcho. Levam adiante uma audiência conciliatória.

O magistrado se surpreende com o nome da reclamante, grafado como ´Cate´ - como se fosse uma conjugação subjuntiva do verbo ´catar´, na segunda pessoa do singular.  Ele imagina que a intenção do pai da pudesse ter sido batizá-la como ´Kate´ - e que o oficial do registro civil tivesse se equivocado.

E para evitar erro(s) na assentada de audiência, o magistrado pergunta à reclamante:

- A senhora é Cate, com ´C´ mesmo, como letra inicial?

Um pouco vexada, a moça assente:

- Isso mesmo, doutor, mas todos me chamam de “Queite”.

Habitual falante como era, o advogado da reclamante - com a intenção de descontrair o ambiente - se apruma e diz de forma solene:

- Na minha família também há um caso de nome raro...

As expressões faciais dos demais denotam curiosidade. O falador prossegue:

- Tenho uma tia, líder comunitária muito conhecida, chama-se Dona Merca. E para evitar equívocos, acrescento que se trata de Merca com ´c´.

A gargalhada é geral, descontrai o ambiente forense e as partes, sem demora, celebram um acordo.  Colhidas as assinaturas, o arremate vem por conta do advogado da reclamada.

- Seguramente não foi um acordo de ´merca com d´...

(Adaptado a partir de um conto do advogado Luiz Augusto Lima da Fonseca).


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