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Sexta-Feira, 17 de Novembro de 2017
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Quem caiu?



Charge de Gerson Kauer

Imagem da Matéria

O pior momento na história do Sport Club Internacional foi no ano passado, quando enfrentamos a queda para a Série B. Em nosso patrimônio moral, contávamos com a rara condição de clube exclusivamente da Série A.

Pois bem, a sucessão de erros, degradações, desvios de condutas, inércia, omissão e negligência, levaram-nos ao pior. Ouso afirmar que nem se planejado, o desfecho deletério seria tão primorosamente alcançado.

Por ironia do destino fomos conduzidos para a Série B, pelas mãos de dois conhecidos colorados: Vitório Píffero e Fernando Carvalho. Sim, os dois como protagonistas, pois como coadjuvantes havia uma legião periférica, constituída de oportunistas, adesistas e arrivistas.

Píffero foi levado à presidência por FC, seu pop star cabo eleitoral.

À época, prevendo o que poderia acontecer, porque ´moro na aldeia´, desafiei os outros dois candidatos à presidência para que apresentassem as suas certidões judiciais negativas de dívidas e execuções. Fiquei sozinho na iniciativa, pois não apresentaram. Seria um gesto de respeito ao quadro social diante de um orçamento anual de mais de R$ 250 milhões!

Sobre isso, F. Carvalho e Ibsen Pinheiro (presidente do Conselho Deliberativo), afirmavam que o meu interesse era o de "tumultuar as eleições". Passados mais de dois anos, é possível mensurar o tamanho do problema que seria evitado pelo dito "tumulto".

A realidade é de que as contas da gestão Píffero foram reprovadas, há relatórios apontando graves irregularidades administrativas e, ainda, a decisão do Conselho Deliberativo de remessa das mesmas ao Ministério Público.

Um time, formado de atletas, conduzido pela comissão técnica, segue a figura de um eletrocardiograma. Algumas vezes vence, outras não. Está em ascenso ou em descenso nas competições que disputa.  Isso é o normal, passível de correção pela contratação de novos atletas, mudança de esquema tático, melhora no preparo físico, troca de treinador, etc.

Por mais crítico que se apresente o momento futebolístico, por si só, raramente, determina a queda para a série inferior. Logo, não é o time quem faz cair. A queda é determinada pelo clube, ou  seja pelas mazelas administrativas. Nem se fale das mazelas morais, quando ingressam contaminando o vestiário e gerando a desconfiança ética dos profissionais acerca dos atos diretivos.

Um cenário para CAIR não é montado apenas com um time ruim. Quase sempre se apresenta regado a uísque, inserto em noitadas festivas e adornado por grandes e atraentes importâncias financeiras, de preferência em dólares ou euros. Para aplaudir o desenrolar da função, uma horda adesista de interesseiros e oportunistas.
                    
O que fez o nosso Internacional colocar o pé pela primeira vez na Série B, fato que ficará marcado em sua história, não foi o futebol apresentado em campo, mas o que levou àquele futebol.

A causa não está dentro do vestiário, mas nos gabinetes da administração do clube - ou o que é ainda pior, nos subterrâneos do Beira Rio.

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Dupla Gre-Nal


• Roberto Siegmann (JUS VERMELHA) escreverá sempre às sextas-feiras. Contatos: Roberto@siegmannadvogados.com.br

• Ricardo Wortmann (JUS AZUL) escreverá sempre às terças-feiras. Contatos: CornetadoRW@gmail.com


Comentários

Carlos Alberto Pieruccini - Empresário 23.10.17 | 17:34:22
O articulista Siegmann foi extremamente feliz ao fazer as colocações acima, as quais, na minha modesta concepção, são totalmente verdadeiras. Concordo em gênero, número e grau com todo o conteúdo do pronunciamento. Acho que o Conselho Deliberativo do Inter tem que autorizar a entrega desse levantamento ao Ministério Público, para que apure todas as irregularidades cometidas pela gestão anterior. 
Edson Olimpio Silva De Oliveirea - Médico 22.10.17 | 11:46:46
Que colorados com o peso e a responsabilidade do Dr. Siegmann tragam para a luz os fatos e a realidade dessa mancha na nossa história. A soberba que nos levou - com os mesmos responsáveis capitaneados por Píffero, Fernando Carvalho e Celso Roth para o vergonhoso (e sempre lembrado) episódio Mazembe -  quis provar que eles estavam certos, repetindo os mesmos (e muitos outros) erros. Lastimável! Desnude-se a fossa. Ponha-se luz nos contratos intermináveis e bilionários de pseudo-jogadores de futebol.
Deny Francisco De Camargo - Advogado 21.10.17 | 14:15:51
Gostaria de saber quem é o proprietário da famosa cobertura em Torres. Interessante que nenhum jornalista investigativo da imprensa isenta do RS teve curiosidade e iniciativa de fazer uma rápida visita ao Registro de Imóveis para resolver a questão. Certamente se fosse com o Grêmio saberiam até o nome dos bisavós do proprietário...
Julio Cesar Sanvido - Advogado 20.10.17 | 16:44:36
Texto brilhante, e verdadeiro.
Frederico Aranha - Advogado 20.10.17 | 13:04:48
Dura realidade. Dispensa comentários.
Bernardo Ferreira Da Silva - Bancário 20.10.17 | 12:48:03
Gostaria de saber se o "alcance" financeiro para bolsos privados foi mesmo de R$ 49 milhões. Também gostaria de saber porque o Ministério Público Estadual ainda não entrou em ação.
Fernando De Castro Salimei - Microempresário E Estudante De Direito 20.10.17 | 12:33:45
Catarinense, não sou torcedor nem de Grêmio, nem do Inter. Mas, conformado adepto do Avaí, torcendo que ele não caia mais uma vez. Quero cumprimentar o Espaço Vital, que leio sempre em busca de interessantes notícias jurídicas, pela ideia de fazer um confronto de textos sobre o futebol. Uma saudável opção em meio a tantas coisas de juridiquês, Gilmareess Mendess, Cármens Lúcias e outros supremos julgadores adeptos da nefasta gestão Temer. (Desculpem, terminei entrando na política brasiliense)...
Carlos Roberto Teixeira - Servidor Federal Aposentado 20.10.17 | 12:28:18
Belo texto crítico, mesmo que desnudando verdades que muitos colorados não gostariam de estar passando. Pergunto: porque o Dr. Siegmann , como conselheiro do clube do seu coração, não leva ele próprio uma notícia-crime ao Ministério Público.
Amillcar Furtado De Oliveira - Gerente Comercial 20.10.17 | 12:25:22
Triste crise de valores que assola o nosso querido Inter. Ainda mais com a vergonha da queda à Série B e à não aprovação das contas da gestão passada. Isso me faz lembrar, pensativo, sobre algo que me parece semelhante, acontecido com o Grêmio há cerca de 10/15 anos: a presença da ISL no Olímpico, como suprema mandatária, na gestão do então presidente Guerreiro. Os componentes são parecidos e causaram a debacle gremista daquela época e que em 2016 botaram o Inter precipício abaixo.
Nélio Almendariz - Comerciante 20.10.17 | 12:16:54
Imagino que o articulista, como juiz aposentado e advogado militante, tenha como comprovar essas questões de uísque, noitadas festivas, subterrâneos, dólares, euros, etc. Como torcedor colorado, recebo vexado estes registros. Presumindo sejam verdadeiros, me levarão a afastar-me ainda mais do clube que tanto admirei. Uma lástima!
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