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Edição de sexta-feira, 19 de outubro de 2018.
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Dirigente dirige, torcedor torce e jogador joga!



Charge de Gerson Kauer

Imagem da Matéria

O óbvio quando bem dito, no futebol assume ares de sabedoria.

Há frases que não significam absolutamente nada, mas quando ditas e, dependendo da boca de onde saem, se eternizam como irretocáveis, como terminativas. É isso e não se discute mais...

Algumas figuras se notabilizaram no mundo do futebol como frasistas, seja pelas frases que efetivamente disseram, como por aquelas que lhes atribuem a autoria:

• No futebol se ganha, se empata e se perde.

• Clássico é clássico e vice-versa.

• Técnico bom é aquele que não atrapalha.

• O mais perigoso é estar ganhando por 2 a 1.

• Gre-Nal arruma ou desarruma a casa.

• Treino é treino, jogo é jogo.

Mais recentemente fomos alvejados por outro vaticínio:  “O torcedor torce e o dirigente dirige”.

Quando lançada por um ex-dirigente do Internacional, o objetivo foi claramente o de separar e de tipificar as duas atividades, atribuindo ao torcedor o papel de apoiador incondicional e ao dirigente o de condutor despótico, plenipotenciário.

Mais uma retumbante bobagem que ganhou repercussão no mundo do futebol sem a devida reflexão.

O torcedor almejando a vitória do time, torce muito e apoia motivado pela paixão. Entretanto, por tratar-se de paixão, quando se depara com erros, carências e falta de organização do time, deixa de apoiar. O ato de torcer é transformado pela insatisfação, materializando-se na vaia.

Não há paradoxo, mas um nexo dialético de causa e feito continuado que, em consequência, faz o dirigente dirigir bem o clube, acertando o que está errado.

Nesta temporada, disputando o Campeonato Brasileiro da Série B, o Inter teve um péssimo início de temporada, o que se arrastou por todo o primeiro semestre. Ficamos 180 minutos sem chutar uma bola no gol adversário. Uma pobreza agravada pela baixíssima qualidade das equipes que participam da competição.

Pois bem, os torcedores pararam de torcer. Cada partida disputada no Beira-Rio transformava-se em um calvário. A vaia - desprezadas por óbvio as manifestações de vandalismo - ecoava no estádio exigindo iniciativas na proporção da grandeza do clube.

Notadamente os dirigentes não estavam dirigindo bem.  Havia erros gritantes e o primeiro semestre de 2017 que teve início com a perda do Campeonato Gaúcho pelo Inter, foi um fracasso.  Esperávamos um Colorado sobrando na Série B e, ao contrário, sofríamos uma reversão de expectativa.

Não resta dúvida que foi graças à pressão da torcida que os dirigentes buscaram acertar o passo, corrigindo o rumo e praticando aquilo que a torcida exigia.

Logo, uma vez mais, no caso pela voz de um dirigente que não deixa saudades, estamos diante de uma grandiosa estultice fraseada.  Que a sua frase reste sepultada, juntamente com tantas outras trapalhadas promovidas na tormentosa gestão do clube.

Não há atividades ou papéis estanques em um clube de futebol.  O torcedor, razão de ser dos clubes, participa apoiando a equipe, mas exigindo quando necessário mudanças e atitudes. É ele o protagonista que impulsiona a direção a mostrar com o futebol que põe em campo aquilo que a paixão clama.

Talvez a frase deva ingressar no rol daquelas que guarnecem o folclore futebolístico, com a adequação necessária:

Torcedor torce, inclusive quando vaia

e dirigente dirige corrigindo o que está mal,

tudo para que os jogadores joguem bem.

Que venha a Série A em 2018!

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Dupla Gre-Nal

• Roberto Siegmann (JUS VERMELHA) escreve sempre às sextas-feiras.
Contatos: Roberto@siegmannadvogados.com.br

• Ricardo Wortmann (JUS AZUL) escreve sempre às terças-feiras.
Contatos: CornetadoRW@gmail.com


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