Ir para o conteúdo principal

Sexta-Feira, 22 de Dezembro de 2017

A vergonha é que muda a cultura da corrupção



Chargista Nani

Imagem da Matéria

Por Luiz Flávio Gomes, jurista. Criador do Movimento Quero Um Brasil Ético.
carlos@professorlfg.com.br

Os aparatos de manipulação da opinião pública difundem que a corrupção é um fenômeno cultural e que nada se consegue fazer contra ela. Isso é uma grande mentira, que tem por objetivo preservar a roubalheira generalizada dos grandes poderosos que dominam o País.
 
Todo mundo sabe que a corrupção aqui foi implantada sistematicamente com a chegada dos europeus. No dia em que lancei meu livro “O Jogo Sujo da Corrupção” (maio/17), uma jornalista disse que estava impressionada com a atualidade do tema. Eu observei: desde o ano 1.500 esse tema é muito atual. Falei isso porque se sabe que a corrupção aqui se tornou sistêmica depois das caravelas de Cabral.
 
Todos os países que reduziram drasticamente a corrupção nos últimos 50 anos (Hong Kong, Singapura, Ilhas Maurício, Botsuana, Alemanha depois dos anos 90 etc.) combinaram duas coisas: repressão com educação (ensinando, sobretudo, ética).
 
Mas no plano cultural, além da ética, a grande mudança nos costumes (nas tradições) decorre do sentimento de vergonha. Quando todos nós sentirmos vergonha do “jeitinho” e da corrupção, eles começarão a desaparecer.
 
Foi a vergonha (como diz Kwame Antony Appiah) que historicamente eliminou o duelo (tão corriqueiro nos séculos XVII-XVIII), que libertou os pés das chinesas do grupo han (pés que antigamente eram cruelmente amarrados), que colocou fim na imoral escravidão (sendo o Brasil o último a fazer isso nas Américas, em 1888).
 
Há duas décadas as pessoas ainda fumavam nas mesas onde se comia. Hoje tornou-se impossível acender um cigarro onde estamos tomando refeições. Esse é mais um exemplo de que os costumes se alteram.
 
Não é verdade, portanto, que nada se pode fazer para mudar profundamente a cultura da corrupção.
 
Quando todos sentirmos vergonha da corrupção, da divulgação de fatos que revelem sérios desvios de conduta, do ato da prisão, do processo, da condenação e de eventual encarceramento, com certeza deixaremos de ser o 4º país mais corrupto do mundo (depois da Venezuela, Bolívia e Chade), segundo o Fórum Econômico Mundial (Suíça).
 
É fundamental que o corrupto sinta vergonha de ser corrupto, sobretudo diante dos filhos, dos parentes, dos amigos, dos conhecidos. É o fim da impunidade dessa delinquência nefasta que começa a gerar vergonha.
 
Todos temos que ter vergonha, não orgulho, de dizer que “nós não vai (sic) ser preso”, que sintetiza a cultura perversa da impunidade.
 
A vergonha decorrente do império da lei para todos (isso é o correto numa República) constitui ferramenta muito útil para a prevenção da corrupção.
 
Repressão (iniciada pelo mensalão e pela Lava Jato), educação (ética) e vergonha. Nessa trilogia reside a cura para a cultura do “jeitinho” e da corrupção. Nenhum corrupto pode ter orgulho de dizer que sabe como escapar das consequências da lei.


Comentários

Banner publicitário

Notícias Relacionadas

O obscuro teto salarial dos servidores

Editorial do jornal O Globo

O fato de mais de 70% dos juízes e desembargadores terem recebido salários acima do limite chama a atenção para a falta de clareza na remuneração do funcionalismo”

Isenção de custas na execução de honorários é lei

Artigo de Ricardo Breier, presidente da OAB-RS. 

“Não é demasiado frisar que a lei estadual (RS) está em vigor há mais de dois meses. Ela é uma conquista para todos os advogados. E lei é para ser cumprida”. Artigo de Ricardo Breier, presidente da OAB-RS.

Charge publicada originalmente no saite Humor Político

Celso de Mello, o fofo

 

Celso de Mello, o fofo

Em artigo na revista Ela, encartada pelo jornal O Globo no domingo (17), a jornalista Danuza Leão discorre sobre os 11 ministros do STF. Menciona um empate com cinco e meio votos para cada lado. “Há um muito bom, mas vaidoso” (...) “duas são mulheres mas demonstram certa fragilidade” (...) “um é modesto, fechado e tímido”. Leia para identificar cada um deles.

Charge de Gerson Kauer

A greve dos estagiários: a justiça nunca mais será a mesma!

 

A greve dos estagiários: a justiça nunca mais será a mesma!

“Sonhem, por um minuto, e visualizem um país com uma paralisação ampla e geral dos estagiários. Seria o caos. Não haveria sentenças, acórdãos, pareceres, contratos de licitação. Quantas senhas se perderiam? Quantos documentos públicos não seriam assinados? Os escritórios de advocacia também seriam duramente atingidos”. Artigo de Lenio Luiz Streck, professor e advogado,  ex-procurador de justiça (RS).

O processo eletrônico e a transferência de serviços ao advogado

“No ´pacote´ que se oferece aos profissionais da advocacia vem embutido um autêntico ´presente de grego”.  São tarefas que seriam atribuições de um já existente contingente de servidores devidamente habilitados - e remunerados - para exercê-las." Artigo de Edmar Luiz de Oliveira Fabrício.