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Sexta-Feira, 17 de Novembro de 2017
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D’Alessandro, o seu problema é o caráter!



Charge de Gerson Kauer – Caricatura de Mário Alberto (marioalbertoblog.blogspot.com.br)

Imagem da Matéria

D’Alessandro, o seu problema é o caráter!”  Lembram dessa afirmação?
                             
Ela foi dita pelo então técnico do Internacional, Jorge Fosatti, e gerou uma polêmica enorme. Alarmada com a gravíssima e aparente sentença, a imprensa esportiva passou a repercuti-la, inclusive junto ao atleta.

Logo a questão foi debelada, revelando que quase sempre vale a pena pensar antes de interpretar.
                             
Simples o esclarecimento. Fosatti é uruguaio, tendo como língua pátria o espanhol. Ele utilizou o termo corretamente, significando “o conjunto de características e traços relativos à maneira de agir de um indivíduo ou grupo”. Referia-se o treinador a uma característica específica do D’Alessandro, a de ser sanguíneo, reativo com firmeza ou com forte emoção, a aquilo que lhe parece ofensivo ou desafiador.

Fosatti também pode ser caracterizado com um homem de um enorme coração, mas como D’Alessandro, de temperamento explosivo e forte. O que Fosatti desejava no papel de condutor do time, era que D’Alessandro fizesse um esforço para controlar as suas emoções, pois muitas vezes elas levavam à sua expulsão, com prejuízo ao time.

Eu sempre preferi pessoas sanguíneas àquelas excessivamente calmas e ponderadas, pois nos esportes a vontade é o elemento  definitivo à vitória. De nada adianta o atleta possuir técnica, habilidade, disciplina e dedicação e na partida, quando está perdendo, ou - quando é injustiçado - permanecer inerte, sem reação. Isso seria o ideal para o rival.
                             
Por outro lado, o torcedor valoriza muito a garra e a determinação do atleta, independentemente do resultado do jogo. Todos nós testemunhamos jogos em que o resultado não foi favorável, mas em que os jogadores saíram de campo sob calorosos aplausos.
                               
Bem, eu convivi com o Dale, posso afirmar que é um excelente atleta com um elevadíssimo compromisso profissional. Aliás, essa é uma característica dos jogadores argentinos: são os primeiros a comparecerem ao café, no ônibus, sempre com as vestimentas corretas, atentos nas preleções e irresignados com os resultados negativos.                               

Não há dúvida de que o D’Alessandro reclama muito. O problema é que quase sempre, quando presenciei, reclamou com razão. Reclamava dos colegas que não respeitavam o horário, reclamava da falta de organização na estrutura do clube, etc.

Uma vez fui chamado por ele com aquele ar solene e respeitoso que os argentinos têm em relação aos dirigentes. Cautelosamente, prevendo algum problema grave, conversamos. Ele apenas queria que um aparelho de ar condicionado que não funcionava e que era necessário à sala de preparação física, funcionasse.

Sempre me incomodou muito a ausência de comprometimento de alguns profissionais. Ali, eu estava diante de um exemplo de querer as coisas certas e corretas. Em outra oportunidade o Dale reclamava da dureza de um determinado colega nos treinos coletivos, revelando as marcas deixadas na sua canela. Estava preocupado, pois logo ali adiante tínhamos um Gre-Nal que ele queria jogar e ganhar. O Dale é colorado com a minha mais absoluta certeza.

Trago o assunto à baila, em razão do meu artigo anterior (27.10.2017) que antecipou o assunto que dominou o sábado do jogo: a vaia e a reação do D´Alessandro.

Eu defendi o direito e o dever do bom torcedor de exigir do time e manifestar, pela vaia, o seu descontentamento. Talvez, para que a abordagem fosse completa, tenha faltado uma reflexão acerca do ´vaiado´.

Pois bem, o ´vaiado´ pode colocar o rabo entre as pernas, sair correndo do gramado e ir se esconder no vestiário. Nesse caso, a vaia terá sido inútil. Há, entretanto, aqueles que reagem à vaia, considerando-a injusta. Nesse caso, a vaia atingiu a sua finalidade, provocando os brios daquele, ou daqueles, que têm que melhorar o desempenho. É o caso do Dale. Ele recebeu a vaia e reagiu a ela. Pouco interessa o conteúdo da sua reação, o que importa é que ela calou fundo, desencadeando uma reação.
                              
Quanto ao fato de o Dale estar assumindo o protagonismo em detrimento da direção e do treinador, o problema não é dele. Há alguns dias sobre o tema afirmei que, com seis anos de idade, se a mãe dela e eu nos omitíssemos, minha filha determinaria o cardápio diário e tudo o mais na casa. Seria dela o problema? Claro que não, pois o problema é de quem se omite, deixando espaços para a assunção pelo outro de funções que não lhe pertencem.
                             
Eu gosto de quem tem sangue quente e tenho a certeza que se o Dale estivesse aqui no ano passado não teríamos caído.

Bem, mas esse é outro papo e talvez um dia eu fale acerca dos motivos do afastamento do Dale do vestiário pela direção passada.
                               
Encerrando, certa feita eu estava realizando a refeição no restaurante junto com o time e na minha mesa, onde também estava o Fosatti, veio a dúvida quanto ao nome do cientista que descobriu a penicilina. Teria sido Fleming ou Pasteur?

Diante da dúvida, Fosatti me olhou, piscou o olho e disse com o seu vozeirão:

- “Andrés, quem descobriu a penicilina?”

Ato contínuo veio a resposta: “Alexander Fleming, profe”.
                             
Não preciso dizer mais nada.


Comentários

Edilson Ivanir Dos Reis Leal - Industriário (rec.hum.) 05.11.17 | 20:42:35
Dr. Roberto Siegmann parabéns pelo texto. Bem definida a importância do nosso camisa "10".
Marion Gomes - Servidora Pública 05.11.17 | 17:42:52
Dalessandro, uma personalidade e ídolo desejado por todos! Parabéns pelo texto; muito bom!
Elisabete Padilha - Advogada 05.11.17 | 17:18:20
O DALE pode, fim de papo! Estamos na B por culpa da direção anterior que deixou ele sair. Quem assiste aos jogos sabe que o DALE é quase tudo no time...dirige o tempo todo....
Gregório De Oliveira Vares - Pecuarista 03.11.17 | 17:12:18
Não se pode contestar que se trata de excelente atleta. Mas ele deve se preocupar em jogar seu excelente futebol e deixar de atropelar os árbitros em campo e de afrontar nossa torcida.
Ricardo Brenner - Fisicultor 03.11.17 | 17:07:52
D´alessandro é excelente jogador, mas manda no time e se sobrepõe a dirigentes que não tem coragem de enfrentá-lo.
José George Pest´anna - Despachante Aduaneiro 03.11.17 | 17:04:17
Sou gremista, respeito o D´alessandro pela sua garra colorada e pelo seu comportamento reservado como modelar chefe de família. Gostaria de tê-lo como atleta imortal tricolor. Mas que ele afrontou a torcida, isto é incontestável. E tal como o chargista retratou, Dale NÃO É O CLUBE!
Sérgio Araújo - Aposentado 03.11.17 | 16:54:56
Penso, s.m.j.,que as duas partes equivocaram-se, porque,em que pese derrotado em casa, o time se doou no jogo contra o Ceará e não venceu por detalhe e continua na liderança do campeonato. Por isso,tenho como injusto o reproche da torcida não obstante reconhecer o direito de vaia. Já o Dale, disparado o melhor do plantel, guerreiro e líder nato, incorreu em erro ao insurgir-se contra os apupos de parte minoritária da torcida. Ambos agiram no calor da emoção.
Amilcar Módena - Militar Da Reserva 03.11.17 | 16:50:15
O Dalessandro tem mesmo que ser chamado de juiz da comarca. Acometido de epidemia de juizite tal como os "homens da capa preta" (como Gilmar Mendes e outros menos votados), já afrontou os homens do apito e agora afrontou a torcida vermelha. Daqui uns dias ele põe o presidente do clube e o treinador a correr...
Carlos Cortes Zabaletta - Microempresário 03.11.17 | 16:33:08
O Dalessandro assume as brechas que a diretoria e o treinador deixam vagas. Por que os dirigentes, depois do jogo com o Ceará não foram à frente da torcida pedir aplausos e incentivos? Ora, são cartolões medrosos, quiseram distância das vaias.
Nataniel Freitas - Engenheiro De Sistemas 03.11.17 | 16:29:02
Belo texto, charge que chama a atenção. Concordo com quase tudo, mas acredito que o Dale não pensa que "ele seja o clube". Ele apenas fez o que fez após o jogo com o Ceará, e em outros momentos também faz, porque a direção do Inter continua sendo omissa. Sem ter alguém que faça a sua parte, o Dale como ótimo colorado que é faz o papel diretivo que está vago.
Felipe Carmona - Advogado 03.11.17 | 12:51:40
A última frase resume-se em: sabe tudo D ´Ale, realmente um jogador completo. Tem feito a diferença.
Ricardo Ullmann Coelho Dos Santos - Escrivão 03.11.17 | 12:38:05
Achei injusta a vaia no jogo contra Ceará, até porque no segundo tempo o Inter pressionou bastante. Assim concordo com a reação do D´Alessandro. É até irônico vaiar o time que está como primeiro colocado no campeonato. Por outra lado, defendo o direito da 'vaia'. É um direito legítimo. Espero que este espaço no Espaço Vital não seja usado para corneta e flauta. E de preferência, que os colorados se manifestem na coluna do Inter, e os gremistas participem na coluna azul.
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