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Edição de sexta-feira , 15 de junho de 2018.
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Adios muchachos!



Charge de Gerson Kauer

Imagem da Matéria

Eu me coloco entre aqueles que preferem não comemorar
                   
Eu havia prometido escrever acerca dos motivos que imagino determinaram a saída do D’Alessandro do Internacional em 2016. Muito embora as situações sejam bem diferentes, agora novamente estamos diante da possibilidade de renovação, ou não, do seu contrato com o Inter.

Bem, ocorre que no meio do caminho houve outro fato de grande relevância envolvendo o Sport Club Internacional, o seu retorno matemático à série A do futebol brasileiro. O seu retorno à competição dos clubes de elite, aqueles que integram a chamada primeira divisão.
                     
Festejar, ou não festejar, eis a questão!
                     
As condições inerentes, aquelas que não podem ser dissociadas das pessoas, não precisam ser festejadas, eis que naturais e evidentes. São atávicas.
                     
O nosso Colorado, é sem dúvida um grande clube de futebol, com conquistas grandiosas, sendo motivo de orgulho para mais de cinco milhões de gaúchos e brasileiros.
                     
Por inúmeras razões, geralmente implicando tradições familiares, passamos a torcer apaixonadamente pelo nosso clube. Assumimos as suas cores, os seus símbolos e pulsamos a nossa emoção de acordo com as suas atuações. Todos nós recordamos do primeiro jogo no estádio, dos nossos ídolos, da inauguração do Beira-Rio e dos sofrimentos e alegrias sentidas. Ora isso não é pouco, é muito.
                      
Assim, caso aqui chegasse do espaço um ET, com certeza perguntaria: por que uma multidão de pessoas desde o ano passado, parece carregar um peso enorme nas costas, demonstrando tristeza e apreensão? Algum terráqueo responderia:  ´São os colorados, sentidos com a queda para a série B do futebol brasileiro´. Seriam necessárias aulas e mais aulas acerca da nossa cultura e tradição para que o ET compreendesse a tragédia que vivíamos.

Ela acabou!

Como tudo na história do Inter, ela não terminou com facilidade, foi repleta de percalços, dúvidas e insatisfações. Saímos da série B no campo é bem verdade, sem nenhuma manobra de ocasião, mas não da melhor forma. Não demos o banho de bola que todos esperavam. Nosso planejamento foi deficiente e os resultados também, mas subimos.
                      
Eu me coloco entre aqueles que preferem não comemorar. Preferem somente voltar a sorrir, a ter esperanças, a ter a certeza que o lugar para cravar a nossa bandeira está em patamares mais elevados, como quando derrotamos o temido Barcelona no Japão, sagrando-nos Campeões do Mundo FIFA.
                      
Não é soberba e nem arrogância, mas o desejo do melhor para o Internacional, é essa a nossa luta, seja como torcedor, sócio, conselheiro ou dirigente. No RS, a escolha do nosso clube do coração é uma opção irreversível e que marca as nossas vidas.                    

Não festejo o retorno, mas colho com humildade a lição: a bola pune sempre! Aquilo que ocorreu no Internacional na gestão passada, não pode se repetir. E somente não se repetirá se todos nós aprendermos a ser vigilantes além de apaixonados. Não é porque alguém ganhou um grande título que repetirá sempre a façanha. Basta constatar que as mesmas mãos que nos conduziram ao campeonato mundial, nos conduziram à segunda divisão. É preciso mais, não podemos confiar em candidatos porque esse ou aquele o indica.
                      
É preciso mais. É preciso analisar projetos, programas, posturas, etc. Mas, acima de tudo é preciso ter opinião, é preciso estar comprometido com os processos de escolha dos dirigentes.
                       
Saímos da série B, mas como escrevi anteriormente, 2016 não terminou. Estamos jogando insuficientemente, sem técnico definido e o pior, sem um time e um estilo de jogar. Hoje, no final de 2017, temos quase nada daquilo que precisamos para um bom 2018. Quando falo em bom 2018, não é ficar na classificação intermediária daqueles que disputam o brasileirão. Bom para nós colorados é disputar a cabeça! Mas vamos acreditar que a lição foi apreendida e assimilada.                      

Quanto ao D’Alessandro - para mim o principal jogador do nosso elenco - rebato todas as afirmações no sentido de que a sua saída em 2017, foi porque temia cair. Não foi isso.

O Gringo é colorado de coração, daqueles que não medem a emoção com as nossas conquistas. Como já disse, se reclama, na maioria das vezes reclama pelo certo e por ter razão.
                      
Reportemo-nos, então, a tudo aquilo que foi noticiado relativamente ao ano de 2016. Eu afirmei anteriormente que quem caiu não foi o time, foi a direção.
                      
Um jogador com o comprometimento do D’Alessandro, precisa ver o objeto da sua paixão em boas mãos e bem cuidado.  O ambiente no vestiário era péssimo, dirigentes com posturas inadequadas, negócios pouco claros, descumprimentos contratuais pelo clube, contratações inexplicáveis, etc.

Segundo é falado bem baixinho no Beira-Rio, o Gringo era sabido demais para permanecer testemunhando o “método” diretivo. Assim, por diversas vezes era repetido de forma audível, que estava na hora de o Gringo sair.
                      
Bem, agora a questão é outra: renovar ou não renovar contrato com o D’Alessandro. Como é meu costume, lanço a minha opinião. Até agora não construímos quase nada em termos de novos valores. Além disso, os quase 40 atletas que formaram o elenco de 2016 retornarão em 2018. Logo, abstraindo as eventuais críticas, D’Alessandro é necessário.
                      
Já ia esquecendo, além do alívio com a subida, tive uma gratíssima satisfação.  Sofri silenciosamente e com um nó na garganta...  Tenho um neto de 3 anos, o João. Ele é motivo de grande alegria em uma fase da vida em que já não se espera grande coisa. Com ele aprendi a resgatar o significado do amor de verdade.

Já há algum tempo, quando ele começou a falar, ao comentar com ele sobre o seu time e o meu ...  Não vou dizer, mas imaginem a resposta quando perguntava qual era o seu time?! O perguntar as razões, dizia que o tal time era da cor dos meninos e que o seu melhor amigo na escola, um iraniano chamado Benjamin, havia escolhido aquele outro.

Ficava quieto, não queria forçar a barra, pois pensava que o radicalismo da reação poderia consolidar por teimosia a escolha.

Muitas vezes me surpreendia imaginando o nosso terrível futuro no futebol.

Bem, há umas duas semanas recebo um vídeo gravado pelo seu pai e, ainda outro, gravado pela minha filha: “Vô eu sou do Inter!


Comentários

Sérgio Araújo - Aposentado 17.11.17 | 17:32:42

Concordo plenamente com os termos do artigo da lavra do dr. Roberto. O Inter é muito grande e merece ser conduzido por pessoas comprometidas com a instituição. Gestão amadora e incompetente como a de 2015/2016 ,nunca mais. E que os sócios, futuramente, na hora de ir às urnas sopesem acerca dos nomes colocados à disposição para que a escolha seja a melhor possível. Avante Inter!

Ricardo Petry - Advogado 17.11.17 | 14:16:50
Sou seu admirador desde que li o seu primeiro artigo o parabenizo por suas posições. Confesso que não tinha opinião formada sobre a permanência do Dale e após o seu comentário também concordo que é importante que ele fique no Beira Rio. Também concordo que o Inter precisa ser refundado.
Carlos Massena - Consultor 17.11.17 | 09:59:14

Dr Siegmann, também tenho um neto com quase três anos e outro com 7 meses e compartilho com o senhor o novo sentido da vida e o amor incondicional que renasce nos nossos corações. Espero ter a mesma felicidade de vê-los colorados, embora meu genro seja gremista. Quanto ao nosso Inter, como sempre, o senhor foi brilhante nas suas colocações. Precisamos refundar o Inter!

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