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Sexta-Feira, 15 de Dezembro de 2017
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O nosso DRONE caiu!



Charge de Gerson Kauer

Imagem da Matéria

O futebol tem as suas curiosidades e com elas o encantamento da torcida que gera audiência aos veículos de comunicação. A magia do futebol não está apenas dentro das quatro linhas, mas em todas as ações que provocam o imaginário popular.

Não é raro verificar as questões internas e políticas dos clubes sendo tratadas pela chamada imprensa esportiva, como se fossem iguais às da política nacional. Conselhos Deliberativos são comparados ao Parlamento e as direções dos clubes aos executivos do Poder Público. Os rivais, os chamados tradicionais adversários, serem tratados quase como estados inimigos. São imaginadas estratégias e táticas, como se a guerra estivesse logo ali adiante e como se da vitória dependessem as nossas vidas.
                     
Esse atrativo e os comparativos, talvez se justifiquem pelo fato de as disputas derradeiras no futebol ocorram aos olhos de todos, transparentemente.
 
Pois bem, surgiu um ingrediente aparentemente novo no cenário futebolístico, mas que há muito faz parte da história das disputas. Não há nada de novo na espionagem esportiva, assim como não havia nada de novo na espionagem empregada na chamada guerra-fria.
                     
Em todos os clubes existe ao menos um olheiro, aquele que com alguma antecedência, ´in loco´, busca informações acerca do time adversário. Elas são relativas ao estádio, ao gramado e, principalmente, sobre os jogadores e o esquema tático a ser utilizado pelo treinador.

Quanto mais importante a competição, maior a antecedência do comparecimento e mais amplas as relações que se estabelecem com essas finalidades.
                     
Quando o Internacional disputou a Libertadores de 2010, tendo à frente no comando técnico o Jorge Fosatti, também tínhamos o nosso espião. O nosso não voava, salvo no interior de um avião, como quando, por exemplo, foi passar vários dias no Equador para espionar o Emelec. Eu estava presente quando o nosso titubeante espião tentava responder as ansiosas indagações do treinador.

Quanto mais tentava responder, mais o inquiridor perguntava - e em velocidade cada vez maior. Na ocasião não me pareceu que a espionagem tenha contribuído para algo mais efetivo. Enfim, se não adiantou para muita coisa, serviu para cumprir o ritual mágico do futebol. Enfim, não há guerra sem espionagem e nem conquista que deixe de fora algo peculiar, folclórico.

Vivemos em um país que além de ganhar por mérito, de alguma forma temos que ganhar guardando em segredo algo para contar depois, algo que nos aponte como espertos.
                     
Foi assim que nos deparamos com a introdução do DRONE no futebol, como ferramenta de esperteza. Nada mais justo e adequado.
                     
O DRONE surge no cenário do futebol justamente quando as imagens colhidas pelas câmeras de gravação são admitidas como elementos para dirimir dúvidas. Em síntese, tudo se altera pela revolução tecnológica que vivenciamos, inclusive a dita esperteza.
                      
Os mais espertos constituirão vice-presidências aéreas, do tipo força aérea. Uma legião de DRONES, cada um com uma finalidade. Teremos experts operadores de DRONE que, seguramente, deverão reunir o talento no manuseio dos comandos com o conhecimento do futebol. Sim, porque de nada adianta registrar a paisagem de um campo de futebol. Deverá saber o que gravar, por onde deslocar o artefato e, preferencialmente, saber como escapar da artilharia inimiga.

Sim, porque seguramente os clubes também investirão em meninos e meninas especializados no uso de fundas (bodoques para outros), que escondidos, com certeira pontaria, colocarão abaixo os instrumentos de espionagem.                      

Digo isso com um tom de ironia, pois me chamou muito a atenção a polêmica artificialmente gerada pela descoberta de que um certo clube, estaria utilizando DRONE para filmar o treino de outro, na disputa pela tão almejada Libertadores da América.

A imprensa chocada pelo fato, alarmada pela intitulada pouca ética, esqueceu de referir a quantidade de vezes que utilizando helicóptero, sobrevoava treinos, especialmente o das seleções. Lembro bem, quando isso também ocorreu no Beira-Rio, às vésperas de um Gre-Nal, quando um certo treinador só realizava treinos fechados.                        


Para mim, respeitando é claro as opiniões contrárias, isso tudo é uma grande bobagem que serviu para criar mistério e discussões infindáveis sobre a ética na espionagem. Sim, a ética na espionagem, pois ela sempre existiu. Quando falei do Emelec, lembrei do nosso DRONE de então.

Aliás há pouco tempo o nosso DRONE caiu, deixando de ser o nosso técnico. Bobagem, porque não é isso que faz um time ganhar ou perder. Mas isso tudo faz parte. Se queremos vencer, temos que fazer tudo o que está ao nosso alcance. Perder esgotado, exaurido, é diferente da sensação de perder indagando: “E se tivesse feito mais isso ou aquilo?
 
Dito isso, não será um DRONE que acabará ou não com o planeta. O que poderá, segundo alguns que não o Kim Jong-un, acabar com o planeta (expressão que ainda não entendi bem o significado), é o futebol e esse, pelo que vi e ouvi, anda escasso.

Aguardemos.

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Dupla Gre-Nal

• Roberto Siegmann (JUS VERMELHA) escreve sempre às sextas-feiras.
Contatos: Roberto@siegmannadvogados.com.br

• Ricardo Wortmann (JUS AZUL) escreve sempre às terças-feiras.
Contatos: CornetadoRW@gmail.com


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