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Edição de sexta-feira , 15 de junho de 2018.
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A aposentadoria do homem que prendeu poderosos



Arte de Camila Adamoli, sobre foto de Paulo Lisboa (Google Imagens)

Imagem da Matéria

 

 O outro lado do japonês

Ato publicado na segunda-feira (26) formalizou a aposentadoria, a pedido, de Newton Ishii, agente da Polícia Federal, que ganhou notoriedade como o condutor de presos poderosos – e alguns, até então, quase anônimos - como o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, o primeiro a ser trancafiado pelo “japonês da federal”, em 14 de janeiro de 2015.

- “Até hoje não entendo porque existiu o apelido e a notoriedade, afinal vários colegas saíam nas ruas comigo. Talvez seja porque sou oriental e isso marcou” - disse Ishii, em uma das várias entrevistas, durante a semana. Ele mora em um apartamento de 70 m2, típico de classe média, em Curitiba. Há poucos móveis, as paredes são lisas, quase sem decoração.

Uma foto, de 1988 porém, chama a atenção: é a do time do Coritiba, que tem entre os mascotes um então menino – era Eduardo, o filho do agente, que morreu 17 anos depois.

Viúvo, Ishii vive com a filha e com o cachorro Zeca. Guarda fotos escoltando presos como Marcelo Odebrecht e falou sobre os mais de três anos em que atuou na Lava-Jato e a experiência de se tornar homem de confiança dos empresários que pararam atrás das grades e a vida de celebridade.

Ele admite: “Foram convites para frequentar áreas VIPs de shows sertanejos a camarotes das festas disputadas pelo Brasil; rejeitei todos”.

O “japonês” relata que já enfrentou situações mais graves do que prender poderosos. Na triste conjunção recorda a morte do filho que se suicidou em 2005, quando tinha 27 anos; e a perda mulher, que se deprimiu com a tragédia, teve um infarto fulminante e morreu em 2009.

O agente avalia que a família de Marcelo Odebrecht "recebeu um outro homem após a prisão". Ishii conta que “quando o empresário chegou a Curitiba mal se comunicava com os demais, mas mudou o comportamento meses depois, passando a dar roupas, toalhas e utensílios de higiene pessoal para companheiros de cárcere com baixo poder aquisitivo que passavam pela PF”.

Alguns presos nunca chegaram a se aproximar do agente, como Cerveró, considerado por Ishii como "o mais complicado".

Entrementes, o ex-ministro José Dirceu era chamado pelo chefe da carceragem de "preso profissional" e disciplinado. E o Antonio Palocci “é um dos poucos que nunca perdeu o autocontrole”.

O “japonês da federal” nega que usará a fama para se candidatar a cargos públicos, apesar de ter sido sondado por três partidos para disputar uma cadeira no Congresso. Ele abrirá, com um sócio, uma empresa de consultoria e segurança, mas não dá detalhes, não fala em possíveis clientes, nem em prospecções. “Nas próximas semanas só penso em descansar” – arremata.

 Bendita queda

O ex-diretor da Polícia Federal Fernando Segóvia, depois de defenestrado pelo novo comando da Segurança, foi contemplado com um cargo onde passará ao largo de incômodos e insegurança. “Ele caiu para cima” – avalia a rádio-corredor da OAB de Brasília.

Em reconhecimento ao “trabalho muito correto na PF” – palavras textuais do amigo Michel Temer – o delegado passará a ser adido especial lotado na embaixada do Brasil, em Roma.

Situada na segura zona da Praça Navona, fica a cinco minutos de distância, via metrô, do Vaticano – onde poderá rezar em ação de graças pela benesse. Salário em dólares.

 Treze horas diárias de trabalho

O TST absolveu a WMS Supermercados do Brasil Ltda. (Rede Walmart) do pagamento de indenização por danos existenciais a um gerente que, habitualmente, exercia jornada diária de 13h em Porto Alegre (RS). A indenização cancelada – e antes deferida pelo TRT gaúcho - tinha sido de R$ 10 mil.

Conforme a decisão superior, “o empregado não demonstrou que deixou de realizar atividades em seu meio social ou foi afastado do seu convívio familiar para estar à disposição do empregador, o que deveria ter sido comprovado para o recebimento da indenização”.

A ministra relatora Maria de Assis Calsing definiu que “o dano existencial ocorre quando o trabalhador sofre limitações na sua vida fora do ambiente de serviço em razão de condutas ilícitas praticadas pelo empregador que o impossibilitam de realizar atividades de lazer, conviver com a família ou desenvolver projetos particulares”.

É, pode ser... Afinal magistrados trabalham 12, 13... 15 horas por dia. Fins-de-semana, também. (RR-20439-04.2015.5.04.0282).

  Nova súmula

O STJ aprovou nova súmula relacionada à atribuição de efeito suspensivo a recurso criminal do Ministério Público.

O enunciado de nº 604 define que “mandado de segurança não se presta para atribuir efeito suspensivo a recurso criminal interposto pelo Ministério Público”.


Comentários

Osvaldo Agostinho Dalla Nora - Advogado 05.03.18 | 09:26:28

Não entendo como um sujeito que foi condenado por ter cometido crime de facilitar a entrada de contrabando no país, quando deveria fazer exatamente o contrário, é tratado como herói, celebridade... fosse em qualquer empresa pública (Caixa, B. Brasil e outras) com condenação transitada em julgado, seria demitido por justa causa... na PF é herói, contrariando pelo menos a moralidade. Brasil? Moralidade? Não precisa explicar, é o retorno dos tempos da Dita... quando eles podiam...

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