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Edição de sexta-feira , 15 de junho de 2018.

Blogueiro busca colaboração de operadores jurídicos sobre raro caso futebolístico



Charge de Gerson Kauer – Reprodução da Corneta do RW

Imagem da Matéria

O engenheiro Ricardo Wortmann, blogueiro da Corneta do RW, está em nova cruzada. Nela busca – com a ajuda de leitores do Espaço Vital, especialmente da velha guarda - o resgate, e mais detalhes, de original caso ocorrido há 50 anos.

O relato de RW:

Estamos no dia 25 de fevereiro de 1968. Data importante na história do Grêmio. Houve o famoso ´jogo do pai do Bebeto´. É verdade.

Teve revólver no Estádio Wolmar Salton - segundo o historiador Marco Antônio Damian. E para o Diário de Notícias, ativo jornal da época, teve faca também.

Reza a lenda que teriam havido disparos. Vencer o Gaúcho de Passo Fundo naquele estádio era mais difícil do que ganhar da seleção inglesa de 1966.  Na zaga tinha o famoso Daison Pontes. No ataque tinha Bebeto.

O Grêmio vencia por 2 x 1. Aos 42 minutos do 2º tempo, o gol que deu toda a confusão: o atacante Bebeto, do Passo Fundo, chutou no travessão superior, a bola picou fora da linha de gol e o goleiro Arlindo agarrou.  O árbitro Vílson Vômero da Silva - que estava mal colocado na ocasião -  apontou para o centro do campo.  O bandeirinha Ilmar Keldmann que não acompanhava de perto a jogada nada fraccionou.   

Armou-se uma confusão, dela participando duas dezenas de jogadores. Houve invasão do gramado.

´Lamentável sob todos os pontos de vista a atitude tomada pelo sr. Aparício Reis, genitor do atleta Bebeto. Puxou revólver e faca contra os jogadores gremistas, numa ação intempestiva e que não condiz com a sua situação de policial, delegado de polícia, em Soledade´ – revelam recortes jornalísticos da época.

O que o blog Corneta do RW busca reconstituir é o desfecho do caso. O delegado invasor foi indiciado? Respondeu a algum procedimento administrativo? Chegou a haver algum processo judicial?

Ou ocorreu a prescrição punitiva?

Respostas, por favor, para corneta.rw@bol.com.br.

´Anos de chumbo´

Aposentado, o advogado Bento de Ozório Sant´Hellena – dono de privilegiada memória – disse hoje ao Espaço Vital que “nada de notável deve ter acontecido processualmente, depois do jogo – o TJD e a FGF se esquivaram. Não era com eles”.

Temporário morador de Soledade justamente em 1968, Bento de Ozório complementa: “Era 1968, plena época dos ´anos de chumbo , o delegado era poderoso, o Ministério Público não tinha destaque, e a IVI não se interessou nem em pesquisar, nem em levar adiante o assunto”. Mais importante do que investigar o caso, foi vermelhamente conveniente manchetear que ´O Grêmio só empatou com o Passo Fundo”.


Comentários

Adroaldo F. Fabrício - Advogado 05.03.18 | 18:43:56

Não sei se a bola do Bebeto entrou ou não; impossível saber hoje. Mas conheci Aparício da Silva Reis alguns anos antes do episódio (absolutamente verdadeiro): era homem de uma coragem pessoal incrível, pouco menos que suicida. Mesmo quase cego já então (usava lupa para assinar), enfrentava os piores facínoras, em condições extremamente desfavoráveis, sem medo. Devo à sua memória respeito e gratidão: ajudou-me muito no início da minha vida de juiz.

Ricardo Luiz Wortmann - Editor Do Cornetadorw 02.03.18 | 12:35:58
O jogo de volta no returno da fase classificatória foi 8 X 0.
Carlos De Tarso Sanvicente - Servidor Da Justiça Aposentado 01.03.18 | 20:27:55

Impossível entrevistar Bebeto. Ele faleceu em Porto Alegre em 2003 e deixou um filho que é advogado, o Dr. Alberto Villasboas dos Reis Filho, OAB-RS 60.471. O filho, sim,  deve ter histórias interessantes a contar.

Carlos Mendes - Aposentado 01.03.18 | 20:06:25
Não lembro do jogo, era criança nessa época, mas meu pai me falou. De concreto, sei a morte de Bibiano Pontes, há uns 5 ou 6 anos. O Bebeto no ano seguinte jogou no Grêmio. Hoje não se tem mais notícia dele. Será que algum leitor do Espaço Vital pode dar notícias? Uma coisa interessante será a Corneta entrevistar o grande goleador gaúcho, o que acham?
Ricardo Borges Maciel - Aeronauta Aposentado 01.03.18 | 19:53:57

O fato abordado é verdadeiro, lembro como gremista, fomos espoliados pela arbitragem e pelo pai do Bebeto. Mas acho que deu em nada. Omissão da Federação Gaúcha de Futebol.

Amandio Rosalvo Zabaletta - Microempresário 01.03.18 | 19:40:41

Lembro bem do fato. Cursava o Clássico Colégio Rosário, na época, e só agora me dei conta de que já passaram 50 anos. Estamos idosos! A iniciativa atrabiliária do pai do atleta deu em nada. O troco ficou por conta do jogo entre as duas mesmas equipes, no segundo turno do Gauchão. Foi no Olímpico, o Grêmio tocou 5 ou 6 a zero no Gaúcho de PF. Quando o olé acontecia no gramado, as sociais do Grêmio deliravam com um estribilho: "CHAMA O PAI DO BEBETO, CHAMA O PAI DO BEBETO". Espero ter agradado ao corneteiro RW.

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