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Edição de sexta-feira , 15 de junho de 2018.
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O meu, o teu, o nosso Beira-Rio



Camera Press

Imagem da Matéria

Quando iniciei a ir ao estádio, o fiz na companhia do meu pai em uma partida entre o Internacional e o Juventude, nos Eucaliptos. Era a casa do Internacional, cheia de magia e de significados, mas sem dúvida muito modesta.

Fomos lá algumas vezes, acompanhados de um amigo do Rudi, muitíssimo colorado.
                    
À época, com aproximadamente dez anos de idade, o que mais me animava era o trajeto até o estádio. O fusca era vermelho ostentando na janela uma enorme bandeira vermelho e branco. Era a moda de então, a de embandeirar os carros com a bandeira do clube.

Era a década do desenvolvimento da indústria automobilística nacional, onde os carros assumiam enorme importância na vida de todos. Não foi por acaso que nela surgiram com muito sucesso, as gincanas Ypiranga, a troca do circuito da Cavalhada, pelo autódromo Tarumã, com as desafiadoras 12 horas. Havia o Aldo Autocapas e o Gobbi, mestres em alterar com requinte e esportividade Simcas, DKWs, Fuscas, Gordinis, JKs, etc.

Lembro bem da minha esperança quando começaram as divulgações da construção do Beira-Rio. Foram contagiantes os esforços da torcida e dos dirigentes. Atrevo-me a dizer que os tijolos e as vigas de concreto do Beira-Rio, foram unidos pela amálgama resultante da paixão vermelha. Um sonho, uma esperança.

A construção do Beira-Rio estava, para mim, na mesma proporção da disputa pela conquista do espaço entre os EUA e a URSS.

Sonhei com a inauguração, com a primeira partida, com os gols e com o orgulho de ser colorado. Embalado pelo sonho, chegamos ao esperado dia. Ele começou com a inesquecível Alvorada Colorada. Quando os ponteiros do relógio marcaram seis horas, pareceu que Porto Alegre estava explodindo.

Eram fogos, muitos fogos, muito barulho e, para mim, por conta disso,  o mundo testemunhando o que havíamos feito.

Uma verdadeira façanha que serviria de modelo à toda terra.

Fui com meu pai até a área dos fundos do apartamento, onde ele fez explodir alguns fogos, antecipadamente adquiridos na Loja Caramuru. Eu, insone pelo horário e pela expectativa da noite mal dormida, separei o alto-falante do meu toca-discos portátil, levei-o até a janela e fiz rodar o disquinho de quarenta e oito rotações com o hino do glorioso.

Depois, com igual importância e expectativa, vieram  a inauguração, o Gre-Nal da voadora do Gainete e as corridas de kart na pista atlética durante os intervalos das partidas.

Passados alguns poucos anos, ganhei do meu avô paterno, o Opa, uma cadeira cativa.

Nada poderia ser melhor.

Depois, ao longo do tempo, como sócio e mais tarde como conselheiro e dirigente, passei a conhecer as entranhas do estádio. Caminhos que não eram públicos, espaços escondidos, lugares de pouca claridade, além é claro daquele que era visto por todos e que não pertencia aos subterrâneos das arquibancadas, nem sempre limpos.

Afastadas as analogias possíveis e cabíveis, resta o fato de que o meu estádio era o antigo Beira-Rio.

O novo é uma monumental obra de arquitetura e de engenharia, mas não me pertence. Pertence às atuais gerações. Ao falar nisso, lembro um pouco do saudoso Dr. Hélio Dourado e a sua paixão pelo Olímpico.

Sim, nós criamos vínculos com os estádios como com os lugares que moramos. Muitas vezes lembro dos amigos que me acompanhavam nos jogos, da minha prima Maria Elisa, companheira de muitas emoções nas cadeiras e dos títulos que conquistamos.

É uma pena que o Beira-Rio atual ainda não nos tenha dado o que o antigo nos deu.

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- Roberto Siegmann escreve Jus Vermelha às sextas-feiras. Contato: roberto@SiegmannAdvogados.com.br

- Lênio Streck escreve Jus Azul às terças-feiras. Contato: lenios@globomail.com


Comentários

Thadeu Luiz Dutra Feijó Feijó - Advogado 09.03.18 | 11:41:05
Discordo do ilustre advogado Antonio Carlos Azambuja, grande gremista. Conheci e vivenciei o Estádio Olímpico, os Eucaliptos e certa vez, com meu pai empalmado, conheci o Estádio do Renner, na Avenida Farrapos.
Vivamos nosso tempo, honrados com as glórias acumuladas no passado. A Arena do Grêmio (sim, do Grêmio) e o Beira-Rio, do Inter, repercutem as nossas grandezas esportivas e a dimensão de nossas conquistas.
Antonio Carlos De Azambuja - Advogado 08.03.18 | 21:02:59

Supremo desaforo: Dr. Helio foi velado na Arena. Inominável insensibilidade. Depropósito. Compactuo com a idéia externada pelo subscritor: esses dois estádios pertencem a outra geração, cada uma do seu lado. Parecem, na história dos dois clubes, o lado escuro da lua. Os modernos não enxergam e nem lhes interessa. Lamentável. Passaram de locais de competição, para lugares de entretenimento. Hoje são palcos de shows. Inclusive, quando dá, de... de futebol ! Parabéns de um gremista.

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