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Edição sexta-feira , 20 de julho de 2018.

“Imaginem, habeas corpus para não ir para a prisão de ventre!...”



Arte de Camila Adamoli sobre foto Jornal do Comércio

Imagem da Matéria

O jornalista Fernando Albrecht, titular da página 3 (“Começo de Conversa”) do Jornal do Comércio, surpreendeu amigos, colegas e leitores ao anunciar em seu blog, na última terça-feira (13), estar acometido de câncer no reto – para deixar bem claro.

Ele admitiu que no próximo domingo (18) se internará em um dos hospitais da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre para cirurgia de retirada de um tumor. “Agora entendo profundamente o ditado popular de ´deixar o seu na reta´ - reto, no caso" – pilheriou em causa própria.

Ele já publicou três etapas desta fase atual de vicissitudes. A série tem o título de “Diário de uma Vida Nova”. E ao saite Coletiva, ele disse que “se recusa a aceitar a derrota nesta luta”. Sua intenção é desabafar de uma forma diferente, sem lamentações.

Pretende atualizar o blog todos os dias e, quando não puder - por estar no hospital - contará com a ajuda do filho Christian e da sua assessora digital Carla Santos.

Arrematando, Fernando admite realista: “A vida é como uma partida de futebol: tem os 90 minutos e pode ter a prorrogação. Eu vou entrar na prorrogação”.

A expectativa do jornalista, nesta quinta-feira, 15 de março.

Reina grande expectativa. Frase que, invariavelmente, era usada pelos jornais em décadas passadas. Fosse qual fosse o evento, sempre reinava grande expectativa, mesmo que ela não reinasse. Bem, no meu caso, ela é verdadeira. Falei com o doutor Daniel Azambuja hoje e ficou no seguinte: eu baixo domingo no Hospital São Francisco da Santa Casa, faço uma série de exames complementares para localizar exatamente o tumor e, a partir disso. vamos para a quimio/radioterapia antes ou depois da cirurgia.

No primeiro caso, seria para diminuir o tamanho do tumor. Se tudo der certo – e dará –, o tumor ficará em um tamanho tal que a cirurgia posterior será complementar, com menor invasão de terras produtivas”.

Tumor gordinho

Tudo a ver, porque não gosto de tumores gordinhos, mesmo antes de ter um. Se tudo der certo, a cirurgia será menos invasiva, acredito. Falo como leigo e sem ter certeza de nada, mas quero compartilhar com vocês essa mudança de rumos – a confirmar.

O peso dos amigos

Na quarta fui no almoço do Tá na Mesa da Federasul, com palestra do governador José Ivo Sartori. Até sexta-feira, pelo menos seguirei fazendo a Página 3 – Começo de Conversa, do Jornal do Comércio. Barco parado não ganha frete e jornalista tem síndrome de abstinência se não escrever. Fiquei comovido com a quantidade de pessoas que leem meu blog e vieram falar comigo para dar sua força.

Sessão das Nove

Hoje, quinta-feira, vou ter mais uma sessão com minha família para acerto de detalhes burocráticos da vida, pagamento de contas e essas miudezas que afligem a vida da gente tal como os micróbios infernizam nosso corpo.

O tamanho do micróbio

Falei neles e lembrei de uma história que me contou o recém-falecido Júlio Aristeu Rosa, meu colega de ginásio nos anos 1950 e grande amigo. Ele dava risada quando leu em um livro a definição perfeita desses microrganismos: “Micróbio é tão pequeno que um monte dessa altura a gente não enxerga”, e ilustrava com a mão esticada para a frente.

O doutor Ross

Naqueles tempos, era vendido um medicamento contra prisão de ventre chamado Pílulas do Dr. Ross, bolinhas que se ingeria conforme o tamanho da ´prisão´. Se fosse como o nosso Presídio Central, acho que precisaria de meio tubo ou dezenas das pílulas do Ross. Deve ter enriquecido vendendo bolinhas.

Tamanho não é documento

O produto tinha um jingle fabuloso que marcou gerações. A letra era assim: “Pílulas de vida/Do doutor Ross/Fazem bem ao fígado/De todos nós” (curta no https://www.youtube.com/watch?v=vXb2VnB_pHYT e terminava com “pequenas, mas resolvem”. Era bem cantável e de fácil assimilação, pega logo no ouvido.

Nas rádios da Argentina, locutores falavam “Chiquititas pero resuelven”. Mas parece que não curavam câncer. Pena. 

SAC da pílula

Tudo bem, meu caro Ross, mas se era bom para o fígado onde entrava a prisão de ventre? Ou é tudo samba de uma nota só?

Ventre livre

Prisão de ventre tem semiaberto? E pena regressiva? E precisa de advogado?

Nunca elucidei essa dúvida cruel com o intestino. Imagina, habeas corpus para não ir para a prisão de ventre.

Acompanhe a rotina de Fernando Albrecht em seu blog: Diário de uma nova vida


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