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Edição de sexta-feira, 19 de outubro de 2018.
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Que a voz da mulher seja ouvida!



PRIMEIRO PONTO: Março se encerra. A partir do século XX adotou-se o dia 8 de março – e por extensão o mês todo – como o Dia Internacional da Mulher para comemorar suas (ralas) conquistas e refletir sobre a (permanente) violência contra a mulher e as diferenças de gênero.

Curiosamente, o terceiro mês do calendário, hoje dedicado às mulheres, recebeu esse nome em homenagem a Marte, rei da guerra na mitologia romana. Certamente, nenhuma guerra foi deflagrada contra as mulheres, pelo menos não a guerra como a conhecemos.

Mas há, sim, uma guerra em curso. É a guerra que faz calar a voz da mulher. Embora aparentemente as mulheres estejam cada vez mais ocupando espaços públicos e privados, os resultados ficam muito aquém do razoável.

Na política, as leis que protegem a distribuição de vagas entre candidatas e candidatos são insuficientes e não respeitadas corretamente. Há previsão de vagas, mas a visibilidade e os recursos necessários para a campanha não lhes são alcançados, fazendo com que as candidatas “morram na praia” quando da eleição, num jogo de faz de conta.

No setor privado, os altos cargos ou são ocupados por homens -, ou por mulheres com salários menores. No mundo dos negócios, o pink tax (imposto rosa, também conhecido como custo mulher), levantado em Nova Iorque, acusou que produtos lançados para as mulheres são mais caros que os correspondentes destinados aos homens.

Elas pagam mais, mas seus salários são, em média, 23% menores que os percebidos pelos homens.

No tráfico humano, considerado uma nova forma de escravidão do século XXI, 98% das vítimas são mulheres. Etc., etc. etc.

SEGUNDO PONTO: Marielle Franco teve sua voz calada, neste mês de março, vítima de arma de fogo. Uma voz que silenciou para sempre, mas que ainda assim precisa ser ouvida.

Maria da Penha, que deu nome à lei que protege a mulher contra a violência doméstica, ficou paraplégica com um tiro desferido pelo marido, dentro do próprio lar. Percorreu um longo e tortuoso caminho até ser ouvida.

Mas há outras maneiras, mais sutis e nem por isso menos cruéis, de calar a voz das mulheres. O filme Maria Madalena exibido nas telas de Porto Alegre, embora nos limites de uma produção hollywoodiana, resgata a sua história, citada na Bíblia até o evento da ressurreição de Cristo, a partir de quando passa a ser ignorada.

Segundo historiadores, foi o Papa Gregório Magno, em 599, que lhe atribuiu a condição de prostituta, signo de repúdio religioso, social, cultural e político. Maria Madalena somente voltou a ser reconhecida como apóstola de Cristo na segunda metade do século XX, e, mais recentemente, em 2017, por obra do Papa Francisco, identificada como Apóstola da Esperança.

Quase dois mil anos de silêncio!

O que têm elas em comum? Vozes no passado ou no presente que ousaram se erguer, que foram ou tentaram ser caladas, mas que precisam continuar sendo ouvidas.

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elaine@fhm.adv.br


Comentários

Leonardo Handler - Advogado 28.03.18 | 09:46:32

Lindo texto, professora. Atual, preciso e sensível...

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