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Edição de sexta-feira, 19 de outubro de 2018.

Gilmar Mendes critica a “imprensa opressiva” no caso Lula



Chargista Duke

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O ministro Gilmar Mendes disse ontem (4) durante o julgamento do pedido de habeas corpus de Lula, que nunca vira “uma cobertura tão opressiva da imprensa” como a realizada na cobertura dos diversos desdobramentos das ações penais contra o ex-presidente. Mendes qualificou como “chantagem a campanha deflagrada pelos principais veículos de comunicação do Brasil, que pressionaram o Supremo para tornar automático o encarceramento de réus condenados no primeiro e no segundo grau”.

Mendes disse que “nestes meus 15 anos de Supremo Tribunal Federal eu já vi quase de tudo. Mas nunca vi uma mídia tão opressiva como essa que está sendo feita neste caso. Se tivermos que decidir causas como essa porque a mídia quer esse ou aquele resultado, melhor irmos para a casa” - disse Gilmar Mendes.

Logo voltou a desancar na imprensa. Comentou a reportagem do jornal Folha de S. Paulo sobre as férias em dobro dos ministros do STF. Ele afirmou que, embora defenda o fim da prática, divulgar o assunto neste momento foi uma clara tentativa de chantagem.

Admitiu que algumas críticas ao Judiciário são pertinentes: “Temos que acabar também acabar com penduricalhos como o auxílio-moradia”.

Mendes abordou também uma reportagem da Rede Globo que, em sua visão, “buscou expor-me como um juiz incoerente”.

Criticou a revista Veja por ter apresentado, na capa da última edição, o desenho de forcas, afirmando que a operação Lava Jato acabaria se o STF concedesse habeas corpus a Lula.

Pontuou negativamente o jornal O Estado de S. Paulo que publicou reportagem afirmando que a ministra Rosa Weber iria definir o julgamento e viabilizar ou não a "ofensiva petista ao Planalto".

Para o ministro, “a mídia encetou um engodo ao fazer crer que a discussão central se dá em torno de Lula e não sobre um valor maior que é a obediência a uma cláusula pétrea da Constituição”.

Também mencionou que a conjunção criada pela mídia levou terminou incentivando a veiculação, em redes sociais, quando ele foi apupado por duas senhoras brasileiras, quando ele – em férias - passeava em Lisboa, numa zona de restaurantes.

O ministro admitiu que a Justiça criminal é falha e disse conhecer “como poucos” o sistema carcerário brasileiro e suas injustiças e violações. “Lido com essa questão pela ótica dos direitos humanos, não da demagogia, pela onda do punitivismo. Conheço a realidade de quem não pode pagar advogado”, disse o ministro.

Gilmar nada falou sobre as críticas da imprensa ao seu desempenho, como julgador, na concessão de habeas corpus aos empresários que controlam o transporte coletivo no Rio de Janeiro. A imprensa sempre acentuou que em 2013 o ministrO foi padrinho de casamento de Beatriz Barata, filha do empresário Jacob Barata Filho. O então noivo, Francisco Feitosa Filho é sobrinho de Guiomar Mendes, a esposa de Gilmar Mendes.

Conforme apuração do Ministério Público Federal – constante no requerimento de impeachment de Gilmar Mendes, que tramita no STF, “Jacob Barata Filho integra os quadros da sociedade Auto Viação Metropolitana Ltda., ao lado, entre outros sócios, da FF Agropecuária e Empreendimentos S/A, administrada por Francisco Feitosa de Albuquerque Lima, cunhado do ministro Gilmar Mendes”.


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