Ir para o conteúdo principal

Edição de Sexta-feira, 20 de abril de 2018.
http://espacovital.com.br/images/doispontos.jpg

Os índices negativos de não participação direta e efetiva no pleito



Chargista Ivan Cabral - www.ivancabral.com

Imagem da Matéria

PRIMEIRO PONTO: As últimas eleições têm acusado o aumento de um índice ainda pouco explorado: a alienação eleitoral. Trata-se de um fenômeno que sempre esteve presente no processo eleitoral, podendo ser detectado sob três focos: 1) Abstenção, quando o eleitor não comparece às urnas; 2) Voto em branco, opção oficial que a urna eletrônica oferece ao eleitor; 3) Voto nulo, que a urna eletrônica teria, em princípio, minimizado, mas que vem ressurgindo com força.

Nas últimas eleições para o cargo de prefeito em Porto Alegre, por exemplo, os votos nulos foram superiores aos brancos. Tal resultado não foi privilégio de nossa cidade, repetindo-se em outras metrópoles. As últimas eleições têm acusado o aumento de um índice ainda pouco explorado: a alienação eleitoral.

No conjunto, esta fuga ao voto de escolha tem alcançado, por baixo, a média de 35% dos eleitores cadastrados junto à Justiça Eleitoral, índice que aumenta quando se está frente a eleições gerais.

De certa forma, tanto não comparecer às urnas como votar em branco ou anular o seu voto, podem, sim, ser consideradas opções políticas: ´Sou contra todos, sou contra voto obrigatório, pra mim tanto faz quem for eleito, são todos os candidatos merecedores de meu repúdio´, e por aí vai.

Mas nem por isso afasta a conclusão de alienação eleitoral do povo brasileiro. O povo está cansado, o povo está descrente, o povo não se sente partícipe da democracia. E isso é muito grave e perigoso, pois sempre haverá quem se beneficie desta ausência.

Não há, em política, espaço algum que não possa ser aproveitado, explorado ou transformado em vantagem. Em geral, beneficiam-se aqueles que já se encontram no poder, pois sua visibilidade maior é um fator a mais a favorecê-lo nas urnas. O alto índice de reeleitos, especialmente nos pleitos proporcionais, em todos os planos, federal, estadual, municipal, é a prova disso. Quanto mais o eleitor se afasta do processo eleitoral, maior o número de candidatos reeleitos, perpetuando-se no poder.

É ilusão o eleitor dizer: ´Não me responsabilizo com o quadro atual de políticos mandatários do poder´ - , porque se afastar, calar, omitir-se é forma, sim, de contribuir com o resultado final.

SEGUNDO PONTO: Irrelevante se mantida ou revogada, a prisão de Lula neste último final de semana – e suas consequências eleitorais imediatas, como focar na transferência de voto - pode ser um componente que se refletirá sobre a alienação nas eleições de 2018, aumentando os índices negativos de não participação direta e efetiva no pleito.

Aos motivos tradicionais e pré-existentes, dando azo à alienação eleitoral, agrega-se a programação de uma campanha eleitoral por parte da oposição a partir da vitimização, alimentando candidaturas não tão populares como certamente a de Lula seria (até por falta de opções) e exaltando a figura do líder perseguido, maltratado, preso e excluído injustamente do processo eleitoral.

É uma estratégia que tem seus riscos tanto para os próprios candidatos de esquerda como para os candidatos de direita.

Ambos não podem perder de vista, se almejam algum sucesso, o fenômeno da alienação eleitoral, fenômeno este que já subiu no telhado e pode significar a morte do gato.

Resta saber que gato.

>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>

elaine@fhm.adv.br


Comentários

Banner publicitário

Mais artigos do autor

Que a voz da mulher seja ouvida!

Na política, as leis que protegem a distribuição de vagas entre candidatas e candidatos são insuficientes e não respeitadas. Há previsão de vagas, mas a visibilidade e os recursos necessários não lhes são alcançados, fazendo com que as candidatas ´morram na praia´, num jogo de faz de conta”.

Complexo de vira-lata e o voto impresso

“A minirreforma eleitoral de 2015 estabeleceu a exigência de impressão do voto no sistema eleitoral eletrônico, a ser parcialmente posto em prática nas eleições de 2018. (...) É mais ou menos como você fazer uma transação bancária via internet e imprimir em papel o lançamento realizado”.

Dando-se nomes aos bois

“Está a se falar do presidente Michel Temer e do ex-presidente Lula. São inexoravelmente inelegíveis para as eleições de 2018? Resposta negativa! Em suma, não é à lei, mas aos tribunais pátrios que caberá a última palavra. Corrigindo, conforme o caso, a última palavra caberá, mesmo, ao eleitor”.