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Edição de sexta-feira, 19 de outubro de 2018.
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Os índices negativos de não participação direta e efetiva no pleito



Chargista Ivan Cabral - www.ivancabral.com

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PRIMEIRO PONTO: As últimas eleições têm acusado o aumento de um índice ainda pouco explorado: a alienação eleitoral. Trata-se de um fenômeno que sempre esteve presente no processo eleitoral, podendo ser detectado sob três focos: 1) Abstenção, quando o eleitor não comparece às urnas; 2) Voto em branco, opção oficial que a urna eletrônica oferece ao eleitor; 3) Voto nulo, que a urna eletrônica teria, em princípio, minimizado, mas que vem ressurgindo com força.

Nas últimas eleições para o cargo de prefeito em Porto Alegre, por exemplo, os votos nulos foram superiores aos brancos. Tal resultado não foi privilégio de nossa cidade, repetindo-se em outras metrópoles. As últimas eleições têm acusado o aumento de um índice ainda pouco explorado: a alienação eleitoral.

No conjunto, esta fuga ao voto de escolha tem alcançado, por baixo, a média de 35% dos eleitores cadastrados junto à Justiça Eleitoral, índice que aumenta quando se está frente a eleições gerais.

De certa forma, tanto não comparecer às urnas como votar em branco ou anular o seu voto, podem, sim, ser consideradas opções políticas: ´Sou contra todos, sou contra voto obrigatório, pra mim tanto faz quem for eleito, são todos os candidatos merecedores de meu repúdio´, e por aí vai.

Mas nem por isso afasta a conclusão de alienação eleitoral do povo brasileiro. O povo está cansado, o povo está descrente, o povo não se sente partícipe da democracia. E isso é muito grave e perigoso, pois sempre haverá quem se beneficie desta ausência.

Não há, em política, espaço algum que não possa ser aproveitado, explorado ou transformado em vantagem. Em geral, beneficiam-se aqueles que já se encontram no poder, pois sua visibilidade maior é um fator a mais a favorecê-lo nas urnas. O alto índice de reeleitos, especialmente nos pleitos proporcionais, em todos os planos, federal, estadual, municipal, é a prova disso. Quanto mais o eleitor se afasta do processo eleitoral, maior o número de candidatos reeleitos, perpetuando-se no poder.

É ilusão o eleitor dizer: ´Não me responsabilizo com o quadro atual de políticos mandatários do poder´ - , porque se afastar, calar, omitir-se é forma, sim, de contribuir com o resultado final.

SEGUNDO PONTO: Irrelevante se mantida ou revogada, a prisão de Lula neste último final de semana – e suas consequências eleitorais imediatas, como focar na transferência de voto - pode ser um componente que se refletirá sobre a alienação nas eleições de 2018, aumentando os índices negativos de não participação direta e efetiva no pleito.

Aos motivos tradicionais e pré-existentes, dando azo à alienação eleitoral, agrega-se a programação de uma campanha eleitoral por parte da oposição a partir da vitimização, alimentando candidaturas não tão populares como certamente a de Lula seria (até por falta de opções) e exaltando a figura do líder perseguido, maltratado, preso e excluído injustamente do processo eleitoral.

É uma estratégia que tem seus riscos tanto para os próprios candidatos de esquerda como para os candidatos de direita.

Ambos não podem perder de vista, se almejam algum sucesso, o fenômeno da alienação eleitoral, fenômeno este que já subiu no telhado e pode significar a morte do gato.

Resta saber que gato.

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elaine@fhm.adv.br


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