Ir para o conteúdo principal

Edição de terça-feira , 18 de setembro de 2018.
http://espacovital.com.br/images/jus_colorada_caricatura.jpg

A imprensa gaúcha também é vermelha



Ricardo Duarte

Imagem da Matéria

Diferentemente do que muitos imaginam, procuro não pautar as minhas atitudes no meio do futebol por fatos que dizem respeito ao coirmão. Tenho convicção de que o principal é cuidar da própria casa para que, com isso, atinjamos resultados positivos.

Aqui no Rio Grande do Sul tem sido uma constante o respeito mútuo entre as direções dos dois maiores clubes, à exceção de alguns poucos bufões.

Como é sabido por aqueles que acompanham a vida do futebol, eu não tenho sangue de barata. Já faz algum tempo que venho lendo na Jus Azul, tanto pela mão do colunista anterior, quanto pela do atual, que no Rio Grande do Sul viceja a tal de “IVI” (Imprensa Vermelha Isenta).

Para a surpresa geral, sou obrigador a concordar. Todavia, chamo a atenção dos ilustres articulistas para que não restrinjam egoisticamente a avaliação quantitativa a uma única atividade no Estado. Sigam, sem nenhuma seletividade. Levantem os números e a proporcionalidade. Se atentarmos para torcedores das elites até as camadas mais populares, é forçosa uma única conclusão: somos esmagadoramente superiores!

Para rebater tal afirmação, não me venham com enquetes e pesquisas feitas por revistas de moda, por saites das elites, pesquisas encomendas, etc. Nós temos exemplos concretos: temos a maior frequência nos jogos, construímos sozinhos um estádio, atingimos um patamar de sócios incomparável com os demais clubes, vendemos mais camisetas, etc. Esses são os fatos, gostem ou não gostem.

O que nunca li nas colunas referidas e citadas, é uma análise um pouco mais aprofundada acerca do papel da imprensa em geral e, aqui em específico, a imprensa esportiva. É óbvio que afasto de imediato aquele tipo de crítica à imprensa que é sistematicamente adotada para “justificar” fragilidades. Por exemplo, foi o que escutei recentemente do ministro Gilmar Mendes e, ainda, no derradeiro discurso do ex-presidente Lula.

Fosse assim, eliminar-se-ia a imprensa - e todas as mazelas da sociedade brasileira estariam resolvidas. É o remédio sendo eliminado como solução para a doença.

Discordo da adoção de um critério generalista que atribui ignorância e ingenuidade aos leitores, telespectadores, ouvintes e internautas. Acredito que, de modo geral, o povo tem sabido filtrar as informações e verificar quando alguma delas tende à irresponsável manipulação.

No futebol essa realidade é ainda mais expressiva, tanto que o público conhece profundamente a realidade de seus clubes. Além disso, falo de cadeira, pois foi uma das minhas atividades durante quase uma década no S.C. Internacional, a construção de canais de comunicação diretos entre o clube, seus associados e torcedores.

Em determinado período conseguimos fazê-lo de forma absoluta, tanto que que em várias oportunidades, ao noticiar algo referente ao Internacional, os veículos afirmavam: “Só falta ser confirmado pelo saite do Internacional”. À época, contávamos com oito profissionais da imprensa que, graças ao trabalho sério, transformaram nossos incipientes veículos de comunicação em portais da informação.

Dos colorados das elites às camadas mais populares do nosso Estado, e forçosamente constatarão que, considerando a maioria, os trabalhadores das demais atividades também são vermelhos. Apenas para afastar a confusão, não estou me referindo a partidos políticos, mas a clube de futebol.

Por outro lado, a realidade não determina comodidade. Os jornalistas “vermelhos”, por torcerem, no seu íntimo, para o Internacional, são extremamente exigentes com o clube, eis que desejam sempre o melhor. Para eles o bom é ruim; e o ruim é pior.

Apesar da insistência que repete uma inverdade no intuito de transformá-la em verdade, os articulistas da Jus Azul nunca abordaram qual seria o papel dos proprietários dos veículos de comunicação em caso de eventual manipulação e que certamente não ocorre.

Por fim, é pueril imaginar que no Rio Grande do Sul as pessoas não tenham preferência clubística.

Todos têm!
............................................................................................................................................................................................

- Roberto Siegmann escreve Jus Vermelha às sextas-feiras. Contato: roberto@SiegmannAdvogados.com.br

- Lênio Streck escreve Jus Azul às terças-feiras. Contato: lenios@globomail.com


Comentários

Jorge Dias Hohmann - Jornalista 13.04.18 | 16:50:12
Nos países desenvolvidos criou-se naturalmente uma norma por uns - e adotada quase que por todos os meios de comunicação - em que figuras que participam ou participaram de gestões fracassadas ou fraudulentas, seja em que segmento for, não ganham espaço em lugar nenhum na mídia para destilar os efeitos da sua incompetência.
No país *bananero", ocorre justamente o contrário. Eis a prova. Um neófito, metido a dirigente - praticamente corrido do seu clube - escrevendo artigos patéticos.
Ricardo Angeli - Analista De Sistemas 13.04.18 | 15:52:44

Resumindo: a imprensa é vermelha porque existem mais colorados no Estado, em todos os setores, em todas as classes sociais. Logo, a imprensa esportiva é apenas um reflexo da nossa sociedade. Os veículos de comunicação seguem as cores clubísticas dos seus donos. O autor, então, apresenta "seus fatos", sem provas, e desafia os articulistas do lado azul a provarem o contrário, mas com dados não coletados pelas "elites", ou "encomendados". Só valem as provas que ele quiser. Não pode!...

Atila Basto - Contador 13.04.18 | 15:49:54

O colunista faz várias afirmações sem no entanto trazer nenhum dado real para sustentá-las. O Grêmio ultrapassou o SCI em número de sócios. Público no estádio? Último Gre-Nal no Beira-Rio, valendo classificação, 25 mil pagantes!... Qual a média de público da série B com ingresso a 10 pilas valendo 2 jogos? Que estádio construíram sozinhos, se o terreno, o aterro, o CT à beira do Guaíba, foram graciosidade do poder público? Onde estão os fatos que sustentam as afirmações do colunsta?

Alex Jung Alex Jung - Advogado 13.04.18 | 13:40:00

De fato, somos os maiores mesmo. Sábado passado (07) estava em um shopping em Caxias do Sul e fui ver uma camiseta do Inter para meu pai. A vendedora disse que já não havia mais camisetas do Inter, pois todas haviam sido vendidas; só havia camisetas do Grêmio. Ponto, eis a prova. Apesar da má fase, somos os maiores.

Giovani David Debiazi - Advogado 13.04.18 | 12:56:59

Muito oportuna a coluna de hoje. Concordo em gênero, número e grau com o o Dr. Siegmann. Sinceramente não consigo entender qual a motivação das palavras singularmente patéticas, escritas pelo anterior e pelo atual colunista da Jus Azul. São colunas recheadas de um sentimento de raiva, inveja e distorção da realidade, sempre com o mesmo objetivo: atingir o clube rival. 

Banner publicitário

Mais artigos do autor

Gre-Nal, a hora da verdade

“Aproveitemos o momento para deixar um pouco de lado as raivas acumuladas, seja pela falência da nossa economia, seja pela destruição moral e ética do nosso país ou até mesmo pela incineração de parte da nossa memória histórica. Somos torcedores e não bárbaros. A convivência faz parte do processo civilizatório”.

Claudiomiro Estrais Ferreira, tanque de guerra, bigorna e matador

“Ele era alvo de piadas e lhe atribuíam a autoria de frases - que não sabemos se disse ou não disse, mas que eram sempre repetidas em tom de veracidade. Não importa: o Claudiomiro com todas as suas circunstâncias, folclóricas ou não, ingressou na história do Internacional”.

TDP – Transtorno delirante paranoide

“De tanto ler acerca da tal de IVI – Imprensa Vermelha Isenta, sou provocado por uma afirmação autofágica do colunista do espaço Jus Azul”.

16 de agosto de 2006

“A data em que o Inter foi campeão da Libertadores. Nunca fui daqueles que oportunisticamente passam fustigando o rival. Aplica-se o óbvio: nós somos nós, e eles são eles. A história não serve para consolo, mas é ela que forja o futuro. Aquela conquista tem um nome que a simboliza: Rafael Sóbis”.

Bem-vinda a primavera vermelha!

“Estamos retornando à elite do futebol brasileiro. Não estamos disputando a permanência na primeira divisão, mas o topo da classificação. Estamos otimistas, para ganhar o título que perseguimos e que nos foi surrupiado em 2005”.