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Edição sexta-feira , 10 de agosto de 2018.
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A política e o futebol



Convivemos com uma rejeição à política. Falar nela é provocar a repulso da maioria das pessoas. Isso não é por acaso.

Os nossos políticos não têm dado demonstrações de espírito público e de grandeza de propósitos. É quase uma regra a de que os objetivos fiquem restritos aos interesses meramente pessoais.

Mas, se a política e os políticos estão sob a análise da população à medida que se aproximam as eleições, pouco, ou quase nada, é dito acerca da sua incidência no cenário desportivo.

Bem, ela pode ser encarada em duas vertentes.

Uma, com menor complexidade, é a presença nos conselhos e nas diretorias, de associados que paralelamente desempenham ou buscam desempenhar, a representação política institucional. Muitos prefeitos, governadores, senadores, vereadores, deputados e até mesmo membros do Poder Judiciário, não escondem as suas preferências no futebol.

Por outro lado, considerando o contexto vivido, como explicar ao associado a necessidade das movimentações internas, a preparação dos grupos de associados para a disputa democrática dos espaços?

Não é fácil.

É comum nos depararmos com o comentário peremptório: “temos que torcer e não fazer política”.

Não resta dúvida que a nossa primeira tarefa é torcer, é a de almejar o sucesso ilimitado do nosso time. Mas, mesmo torcendo, não podemos esquecer da realidade. Quem determina as diretrizes para o desenvolvimento das atividades é a direção. Contratações de jogadores e do técnico, posicionamento diante das dificuldades, relações com a imprensa, atividade financeira, etc. é tudo restrito à direção.

Logo, se não estamos contentes com o que reputamos errado, o caminho é fornecer a solução e lutar por ela, considerando os espaços existentes no regramento normativo do clube.

Há um segundo comentário igualmente desestimulante: “se estás contrário a algo, por que não participas e fazes diferente?

Ora, em qualquer estrutura organizada, é reservado um papel e espaço àqueles que não estão abrigados pela gestão. Esses, sem nenhum desejo de inviabilizarem a instituição, apresentam-se como alternativa baseados em propostas concretas submetidas aos eleitores – quadro social.

Eventual gesto para unir, o estender das mãos e o respeito à diversidade de propostas diretivas, são próprias à situação, àqueles que exercem o poder político.

Isso o torcedor tem que entender, pelo sistema existente poucas são as formas de unir e, sem dúvida, uma delas decorre da generosidade política de quem está à frente, na direção e propõe o compartilhamento dos espaços.

Àqueles que insistem em não reconhecerem a necessidade das movimentações políticas nos clubes, das formulações de programas que desbordem dos limites dos grupos políticos, um aviso: lembram das últimas eleições e das suas consequências?

Não basta escolher, é preciso avaliar.

DESPEDIDA - Nesta semana perdemos um profissional da imprensa desportiva que deixará saudades.

Falo do Ricardo Vidarte, uma figura e tanto. Ele transpirava alegria e felicidade. Tomara que o seu exemplo fique em nós e em seus familiares.
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· Roberto Siegmann escreve Jus Vermelha às sextas-feiras.
· Lenio Streck escreve Jus Azul às terças-feiras.


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