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Edição de sexta-feira, 19 de outubro de 2018.

Advogado diz em petição que está com vontade de “chutar o pau da barraca”



Em petição ao juiz deprecante (comarca de São Luiz Gonzaga), advogado “antigo” gaúcho reclama contra a devolução, sem cumprimento, de carta precatória, pela comarca de São Pedro do Sul. “Meu lema é atacar sempre a decisão e não quem a profere” - ressalva o reclamante.

Em petição encaminhada à juíza Gabriela Dantas Bobsin, da 1ª Vara Cível da comarca de São Luiz Gonzaga, o advogado

Antonio Silvestri da Silva (OAB-RS nº 17.672) relata seu desencanto com a negativa de prestação jurisdicional ocorrida no Juízo deprecado (Vara Judicial única da comarca de São Pedro do Sul).

O advogado Silvestri reconhece já haver “ultrapassado a meia-noite em termos de idade e já não mais alcança o meio-dia se o caso for a sua trajetória na advocacia”. Em seguida, afirma que, “nesse já longo traçado, jamais lhe passou pela mente o inusitado que ora lhe cai sobre os ombros, no qual irá digladiar-se com a missão de encontrar elementos para insurgir-se contra aquele que desempenha a tão nobre e tão sublime missão de julgar”.

É que numa ação de cobrança de seguros, Silvestri arrolou uma testemunha a ser ouvida por precatória. Expedida esta, o juiz deprecado Leandro Preci decidiu não realizar a solenidade e determinou a devolução da precata sem cumprimento, porque nem as partes nem seus advogados haviam comparecido.

O advogado reclamante pede, agora, à juíza deprecante que envie novamente a precatória à comarca deprecada – destacando que, se tal não ocorrer, representará ao CNJ.

E, desde logo, o advogado Antonio Silvestri admite “uma vontade louca de chutar o pau da barraca, enfiar o pé na jaca, fincar outro pé no balde e partir com tudo - de tal sorte que será impossível manter o nível diplomático com que todo advogado se deve portar ao se fazer presente no processo”. (Proc. nº 034/1.17.0000401-4).

Leia a íntegra da petição de desabafo

“É impossível a um velho advogado, compreender as razões que
possam levar um juiz à indisfarçável prática de atos procrastinatórios”.


Comentários

Cleanto Farina Weidlich - Advogado 08.05.18 | 12:01:25

Meu caro colega e doutor Silvestri, somos da mesma casa numérica dos '17', e na estrada da vida profissional que não se desgruda da pessoal, também aprendi que advogar é um exercício constante da arte da paciência, disciplina e perseverança, ... e por aí em fora. Limitado aos caracteres deste espaço para comentários, envio a minha solidariedade ao ilustrado colega, com uma dica: não deixe de almoçar naquele restaurante que fica no trevo de São Pedro do Sul, é um lugar mágico!

Paulo Roberto Alves - Advogado 08.05.18 | 12:00:28

Espero ter entendido, e se positivo, a carta precatória destinava-se à oitiva de testemunha, portanto, não obrigava o comparecimento das partes. Trata-se, portanto, de cerceamento de defesa. Prefiro crer não se tratar de erro do magistrado, porque seria muito primário. Juiz de futebol sim erra muito; uiz de Direito também está sujeito a erro, como ser humano que é... porém, não dessa natureza como lemos acima.

Eliel Valesio Karkles - Advogado 08.05.18 | 11:14:18
Que triste... Prática comum... Pior ainda são os despachos "au au au" (ou seria "ao autor, ao réu, ao MP, ao ...).
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