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Edição de sexta-feira , 25 de maio de 2018.

A história do advogado da faculdade de papel



Sentado no banco dos réus da 6ª Vara Criminal do Foro Central de Porto Alegre, em novembro de 2012, o advogado porto-alegrense Faustino da Rosa Junior reconheceu:

– “Fiz essa baita bobagem, dei um tiro no pé na minha carreira profissional (...). Minha única vontade era garantir a vaga, um trabalho, já fazia cinco anos que estava formado e não conseguia trabalho (...). Venho de uma família bastante pobre”.

As frases fazem parte de um depoimento de quatro páginas no qual Faustino confessou ter aplicado golpe contra o Instituto de Previdência do Estado (Ipergs), em Porto Alegre. Criado no bairro Glória, o advogado à época se dizia sem alternativas, mas no ano passado, aos 35 de idade, se apresentava como um dos maiores empresários do setor de Ensino Superior no país, até pouco tempo atrás CEO do Grupo Educacional Facinepe, com 6 mil alunos.

Este é o introito de matéria publicada pelo jornal Zero Hora, em 2 de março do ano passado. O jornalista José Luis Costa relata que “foi ludibriando o IPE que Faustino alcançou o primeiro lugar em concurso público de agosto de 2010. Em janeiro do ano seguinte, assumiu como analista em previdência e saúde, e logo adotou comportamento que surpreendeu antigos servidores”.

Conforme relato à Justiça, o advogado não queria trabalhar às sextas-feiras e pretendia ocupar a sala de um procurador, que estava em férias, chegando até a mudar a disposição dos móveis. Ao mesmo tempo, divulgou em seu currículo na internet que era "procurador-chefe do IPE", cargo que não existe.

Dono de faculdade com credencial vencida, ele emitiu diplomas falsos. Mesmo condenado por falsificar diplomas, ele distribuiu homenagens a famosos como Silvio Santos, Edir Macedo e até dirigentes da própria OAB

No Ipergs, as atitudes estranhas de Faustino levaram a direção a abrir sindicância. Com a checagem de documentos, o espanto foi ainda maior. Ele tinha somado pontos na prova de títulos com seis documentos falsos: três certificados de pós-graduação pela Fundação Getulio Vargas; dois de pós-graduação pelo Instituto Educacional do Rio Grande do Sul; um diploma de doutorado em Direito na Argentina, revalidado pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro.

Questionadas judicialmente no processo movido pelo IPE, as instituições consideraram as falsificações grosseiras. A FGV apontou as falhas mais gritantes. Os cursos citados nos certificados não existiam e o nome da fundação foi impresso errado, com acréscimo de acento agudo no "u" do nome Getulio, inexistente na grafia autêntica da fundação.

Por causa da falsificação, Faustino foi demitido do IPE "a bem do serviço público" quatro meses depois de tomar posse. No âmbito judicial, a farsa levou à condenação do advogado a dois anos de reclusão por uso de documento falso, confirmada pelo TJRS em 2013, quando Faustino já trabalhava no Facinepe.

A pena foi convertida em prestação de serviços comunitários, mas Faustino não cumpriu a decisão, sob o argumento de que viajava muito a trabalho e perderia a fonte de renda da família e dos pais. Quitou a pena com uma multa de R$ 21,1 mil, paga à vista.

Leia a reportagem completa publicada pelo Clic RBS.


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