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Edição de terça-feira , 19 de junho de 2018.
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Um palavrão necessário: epistemologia do futebol



Arte de Camila Adamoli sobre reprodução do Google Imagens

Imagem da Matéria

A IVI – Imprensa Vermelha Isenta é um fenômeno inspirador. E surpreendente. Ela está em todos os lugares. É como o grande irmão. Ela está presente até na ausência, bastando ver o modo como a crise do fechamento das contas do Inter é resolvida pela mídia: institucionalizou a abordagem em página própria, sob a responsabilidade do GDI da RBS...

Pronto. O vírus está isolado. E a vida segue. Facinho, facinho. Crise? Qual crise?...

Isso tudo me fez lembrar meu discurso como orador da primeira turma no curso de comentarista de futebol comandada pelo professor Ruy Carlos Ostermann, nos anos 90. Guardo com carinho meu diploma. Na cerimônia, falei da necessidade de se fazer uma “epistemologia no futebol”.

Explico, de novo, mais de 20 anos depois. Epistemologia é o ramo da filosofia que cuida da seguinte questão: O que podemos conhecer? A obviedade é apenas aparente; não temos uma epistemologia adequada sobre uma série de questões, das mais fundamentais. Basta ver que, nos mais diversos ramos do conhecimento, não há consistência lógica no discurso de muitos (supostos) especialistas.

Por que digo isso? Porque precisamos, com urgência, de uma epistemologia do futebol também. Por que? Porque, sem uma epistemologia do futebol, não se diferencia palpitaria de comentário abalizado; sem uma epistemologia, não se diferencia news de fake news. Sem epistemologia, diz-se qualquer coisa. Nega-se evidências. Nem uma imagem convence o “sem-epistemologia”.

Em suma, sem uma epistemologia, não se diferencia Leandro Behs, de Ernest Hemingway.

Enquanto não tivermos uma epistemologia, nosso Pulitzer é a IVI.

Sem uma epistemologia, pode-se dizer que Taison é melhor que Messi.

Sem uma epistemologia, pode-se dizer chamar D´Alessandro de “estadista”.

Sem uma epistemologia, pode-se comparar Danilo Fernandes a Eurico Lara.

Sem uma epistemologia, o “quase golaço” (que nem foi gol) do “cracaço” Nilton (o famoso quem?) vira assunto.

Talvez um desavisado dissesse: “Mas professor, ninguém em sã consciência diria coisas assim!”.

Pois é. Mas dizem. Porque não temos uma epistemologia do futebol!

E, sem uma epistemologia do futebol, a IVI sempre terá, no limite, uma carta na manga. Mais que uma carta: um coringa. O clássico super trunfo de quem quer falar absurdos simplesmente porque sim: “Essa é minha opinião!”.

Bingo. É só a “opinião”. Ah, bom. Comparar um goleiro de Série B (e isso é fato, basta dar um Google) com Eurico Lara não é “opinião”.

Acredito em objetividade. Messi é melhor que Taison. Lara é melhor que Danilo Fernandes.

Nilton... Nilton eu nem sei quem é. Já fiquei cansado só de pensar em falar em Nilton. O craque-que-não-é-craque que fez um quase-golaço-que-não-foi-gol.

Viram o que a falta de uma epistemologia faz? Se não viram ainda, com meus exemplos negativos, dou um exemplo positivo. O que aconteceria se tivéssemos uma epistemologia do futebol?

Se tivéssemos uma epistemologia, três barrigaços do Luan vendido (fator Leandro Behs) e era strike out. Fora! Seguro desemprego...

Mas não quero que ninguém seja demitido. Só quero... uma epistemologia do futebol.


Comentários

Luis Augusto Waschburger - Advogado 22.05.18 | 11:42:30

Um pouco disto, hoje em dia, é fruto da célebre frase de Umberto Eco: "A internet deu voz a uma legião de imbecis". E assim vão os jornaleiros, atrás de cliques, visualizações e quejandos. Se no "país do futebol" todos são treinadores, com a internet todos viraram comentaristas. E também médicos, psicólogos, filósofos e advogados. Entre estes últimos, muitos viraram especialistas em direito penal, constitucionalistas e "neoconstitucionalistas", seja lá o que isto signifique. 

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