Ir para o conteúdo principal

Edição sexta-feira , 10 de agosto de 2018.

Privilégio de foro: súmula ou emenda constitucional?



Por Fábio Bittencourt da Rosa, advogado (OAB-RS nº 5.658)
fabiobdarosa@hotmail.com

O Legislativo e o Judiciário exercem poderes de Estado com atributos diversos. Enquanto o primeiro cria a norma jurídica com caráter geral e abstrato, o Judiciário limita-se a ditar a regra para a solução do caso concreto. Isso está caracterizado pelo vetusto princípio da demanda: dá-me o fato e te darei o direito.

Por tal modo, os tribunais que julgam demandas dentro dos limites das situações fáticas postas no processo podem uniformizar sua orientação, especialmente depois de apreciar várias causas sempre sobre fatos com as mesmas dimensões. A estabilidade das decisões, que dá credibilidade ao sistema jurisdicional de um país, precisa de instrumentos formadores de precedentes, agilizando-se a prestação jurisdicional.

Tal propósito motivou a criação de súmulas no Brasil.

Exatamente por isso o novo CPC dispôs no parágrafo 2º do artigo 926 o seguinte: “Ao editar enunciados de súmula, os tribunais devem ater-se às circunstâncias fáticas dos precedentes que motivaram sua criação”.

Assim, criar súmula que abranja situações de fato que não estavam contidas nos limites da lide objeto do julgamento, caracteriza literal afronta à lei.

Recentemente, o STF julgou o caso do fim do privilégio de foro (questão de ordem na Ação Penal nº 937), tratando o processo de senadores e deputados. Surpreendentemente, ao final do julgamento, o ministro Dias Toffoli propôs duas súmulas vinculantes, que seriam resultado dessa decisão.

As redações seriam as seguintes:

· “A competência por prerrogativa de foro, prevista na Constituição Federal para agentes públicos dos Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário e do Ministério Público, compreende exclusivamente os crimes praticados no exercício e em razão do cargo ou da função pública”.

· “São inconstitucionais normas de Constituições Estaduais e da Lei Orgânica do Distrito Federal que contemplem hipóteses de prerrogativa de foro não previstas expressamente na Constituição Federal, vedada a invocação de simetria”.

Convenhamos, isso não era de se esperar de um ministro da Suprema Corte. Estender a eficácia do julgado a situações de fato totalmente diferentes?

Em verdade, o magistrado não estava a propor uma súmula vinculante, mas uma verdadeira emenda constitucional. Esqueceu do CPC, além das regras básicas sobre a competência dos poderes de Estado.

Juiz não é legislador.


Comentários

Gustavo D'ávila - Advogado 05.06.18 | 10:03:28

Dr. Fabio, não podemos levar a sério este senhor que algum amigo alçou à condição de ministro do outrora respeitável STF. Aliás, sempre digo que após a nomeação deste indivíduo como julgador da nossa mais alta Corte, até o palhaço Bozo pode!

Banner publicitário

Notícias Relacionadas

Charge do saite Mais Vale Saber

Do sonho ao pesadelo

 

Do sonho ao pesadelo

“Voo atrasado, ou cancelado e extravio de bagagem. As companhias aéreas fazem um cálculo do custo/benefício, preferindo transferir ao consumidor o ônus advindo de suas falhas, ao invés de ampará-lo”. Artigo do advogado Júlio Sá.

Justiça na era digital: a tecnologia como personagem processual

“Considera-se ´tempo morto´ a fase em que o processo fica parado no cartório, aguardando rotinas ordinatórias. Não é difícil que uma simples comunicação processual por carta leve meses, principalmente se em outro Estado da federação”.Artigo do advogado Renan De Quintal.

Diversidade e complexidade: um movimento de oposição para mudar a composição da OAB-RS

Os problemas da classe são objetivos e vão muito além da inauguração de sedes. Eles estão na ponta do exercício profissional cuja voz não chega até o pomposo CUBO (...). Para preservar interesses dos grandes escritórios, a entidade não se dispõe a discutir projeto de lei sobre o piso de contratação”. Artigo das advogadas Luciane Toss e Bernadete Kurtz.

Preocupante dicotomia nas eleições da OAB-RS

“Eu quero somente uma Ordem que destine recursos aos advogados que andam morrendo de fome e perdendo a saúde, sem condições de subsistência. Gostaria que a nossa OAB destinasse recursos aos colegas do interior que passam por dificuldades ainda maiores que as nossas da Capital”. Artigo da advogada Suelena Cioccari Lannes.

Montagem revista IstoÉ

Os três trapalhões

 

Os três trapalhões

“Por que esses personagens (Neymar, Eunício de Oliveira e Rogério Favreto) fazem o mundo rir do Brasil e massacram ainda mais a nossa autoestima tão em baixa”. Artigo de Antonio Carlos Prado, diretor executivo da revista IstoÉ.