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Edição de terça-feira, 16 de outubro de 2018.

Duas autoridades e seus diferentes momentos no poder



Arte de Camila Adamoli sobre reprodução do Youtube (E) e foto Camera Press (D)

Imagem da Matéria

Por Marco Antonio Birnfeld, editor do Espaço Vital
123@espacovital.com.br

O Espaço Vital desta sexta-feira publica duas matérias sobre decorrências do poder no Brasil. Uma sobre as atividades dos “capinhas” que atuam no STF e que tem uma rotina de protocolos e mesuras a cumprir em atenção aos ministros da Casa.

A outra notícia aborda os gastos extravagantes com cafés, cafezinhos, máquinas de café expresso, etc. na Câmara Federal – onde a cara conta da segunda bebida mais consumida no Brasil é paga pelo bolso dos cidadãos.

Ontem (7) também repercutiram, nas redes sociais brasileiras, os contrastes entre os comportamentos e as posturas de dois cidadãos – um senhor e uma senhora - ambos reconhecidamente idôneos. As situações são diferentes; as reações epidérmicas deles também diferem; o homem é despojado.

Foi em Amsterdam, na Holanda, esta semana que, ao chegar ao Parlamento para uma jornada de trabalho, o primeiro ministro Mark Rutter passou por um incidente comum aos mortais. Ao entrar no prédio público levando à mão um copo (de papelão) contendo café, Mark bateu num obstáculo.

O copo caiu, o café sujou o chão, ninguém acorreu protocolarmente e o próprio primeiro-ministro iniciou a limpeza, logo aprimorada com o uso de uma vassoura que alguém lhe passou. Não demorou muito e as faxineiras que trabalham no Parlamento holandês foram chegando para observar o político desapegado das mordomias do poder.

De Mark Rutter, depois, duas frases de forte conteúdo: “Somos responsáveis pelo lixo que produzimos. Cabe-me limpar o que sujei – eu faço isso habitualmente na minha casa”.

O videoclipe se tornou viral nas mídias sociais, com pessoas de todo o mundo aplaudindo-o por sua humildade e chamando-o de "verdadeiro modelo".

O contraste foi comparado, nas redes, com uma atitude passiva, no Brasil, da procuradora-geral da República, ao chegar – usando carro oficial – um dia desses ao local de trabalho, onde é assídua e eficiente.

Como estivesse chuviscando e Rachel Dodge tivesse desistido de usar a garagem do prédio, havia uma prestativa servidora de plantão. Esta acionou, então, um amplo guarda-chuvas para que a autoridade não fosse atingida pelos pingos da chuva que Brasília estava esperando.

Brasil e Holanda são diferentes em muitas coisas. Aqui os “capinhas” seguem ativos no STF; e os deputados, seus amigos e milhares de servidores bebem os melhores cafés pagos pelos cofres públicos (o seu, o nosso dinheiro).

O Brasil enfrenta, entrementes, a maior crise de corrupção de sua história e tem um governo pífio que desdenha a população que, claro, conta os dias que faltam para que chegue o 31 de dezembro. (Ufa! E quem virá depois?...)

E a Holanda – ah, bem, a Holanda é um dos países com melhor qualidade de vida, com um dos mais altos Índices de Desenvolvimento Humano do mundo, segmentado em sua forte política de assistência social e direitos essenciais

Rachel Dodge, Mark Rutter, Holanda, Brasil, capinhas, “capinhas”, café, cafezinho, café expresso, guarda-chuvas, mordomias, primeiro ministro, Amsterdam, Brasília, como educação, saúde e segurança.

O país europeu possui uma das economias capitalistas mais livres do mundo — 15ª posição entre 177 países.

O Brasil tem Michel Temer como presidente, Padilha, Marun e outros semelhantes como seus ministros de destaque. Teve também o bunker milionário de Geddel. E Maluf doente, coitado, está em prisão domiciliar. Eike Batista segue faceiro também. O auxílio-moradia para autoridades está perpetuado. E quase todos os dias alguém do Supremo manda soltar alguns presos que têm alto Q. I.

Que o 31 de dezembro chegue logo!

Café derrubado no chão. Veja como o primeiro ministro da Holanda resolveu.

Leia nesta mesma edição do Espaço Vital:

·  Deputados ´torram´ o equivalente a 48 toneladas de café com aluguel de máquinas de expresso

·  Os ´anjos da guarda' dos ministros do STF


Comentários

Virginia Barbagli - Advogada 12.06.18 | 15:00:29

... E mais o fato de o STF ter sala vip no aeroporto de Brasília, paga com nosso dinheiro. O aluguel pago à magistratura, a sala vip no aeroporto também entra: é corrupção.

Mario Fernando Gonçalves Lucas - Advogado. 08.06.18 | 11:20:59

Esta atitude, é exemplar. Seria bom, que nossos intocáveis seres superiores, pudessem dar sua opinião a respeito, o que acredito que jamais acontecerá. Talvez por vergonha e/ou para não passar pelo ridículo de afirmar que tal ato de limpar não seria com eles...

Jose Cesar Palacini - Advogado 08.06.18 | 10:45:21
Bom dia. Enquanto a sociedade servir o Estado, esse Brasil não vai para frente.
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