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Edição de sexta-feira, 19 de outubro de 2018.
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Árbitro de vídeo e a segurança jurídica no futebol: verdade ou mentira?



Chargista Renato Peters

Imagem da Matéria

PRIMEIRO PONTO - O sistema denominado de VAR - Video Assistant Referee – instituiu no futebol uma nova forma de árbitro assistente, que passou a ser conhecido como árbitro de vídeo. É a tecnologia sendo utilizada no futebol, paixão de milhares de torcedores pelos quatro cantos do mundo.

Futebol é esporte de massa e tudo o que acontece nas quatro linhas envolve muitas emoções, como canta nosso eterno romântico Roberto Carlos. Na Copa de 2018 estreia esse novo recurso, já oficialmente adotado pela FIFA e testado em importantes campeonatos desde 2016. Uma nova figura das quatro linhas será utilizada no futebol, pelos árbitros, desenhando um retângulo representativo de uma tela, para a chamada dos auxiliares postados a frente de computadores.

Trata-se de uma ferramenta buscando a verdade das ocorrências futebolísticas e assegurando uma arbitragem mais aderente à realidade dos fatos do gramado verde por onde rola a bola, perseguida pelos jogadores paramentados com as cores de seu país. Seu uso, porém, não será banalizado, ficando, na Copa da Rússia, restrito a apenas algumas hipóteses duvidosas, como (in)validade de um gol feito com a mão ou por jogador impedido; pênalti claro mas que não tenha sido percebido pelo árbitro titular; expulsão de um jogador mediante cartão vermelho direto; ou, ainda penalização por cartão amarelo ou vermelho a jogador equivocado.

O processo de revisão é muito célere. Segundo relatório divulgado pela International Football Association Board (IFAB), órgão que regulamenta as regras do futebol, a checagem de cada lance durou, em média, 20 segundos, num total de 804 jogos analisados.

SEGUNDO PONTO - Não nos iludamos, porém. As jogadas passam necessariamente pelo processo interpretativo do árbitro. E não poderia ser diferente, decidir é antes de mais nada uma opção, uma alternativa que a vida nos opõe: vale também para o futebol.

De outro lado, o árbitro só provocará a intervenção dos assistentes – e é isso que são os árbitros de vídeo, auxiliares do juiz – se ele, árbitro, estiver em dúvida sobre um lance capital. Nada impede uma via de contramão, isso é, que os próprios auxiliares provoquem uma reavaliação pelo árbitro titular em casos extremos.

Esta comunicação entre o titular e os seus auxiliares – de vídeo ou do campo – não deixa de ser um processo colegiado de conduzir o jogo, mas a última palavra sempre caberá ao titular, tanto para fazer ou não uso da tecnologia, como para aceitar ou não a nova orientação. A derradeira decisão sempre será do juiz, que está com o apito na mão.

Ou seja, segurança na direção do jogo e no ‘julgamento’ dos lances difíceis não passam de quimera. Continuarão provocando controvérsias, xingamentos, desilusões.

Não foi assim no jogo do Brasil x Suíça? E, se mais não for, fica sempre o sentimento de que o pênalti não marcado, deveria ser marcado, o gol inválido deveria ter sido anulado, a expulsão foi injusta, etc., etc., com ou sem árbitro de vídeo, ainda que os resultados de sua utilização tenham restringido os erros de arbitragem, o que também é um fato.


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